sábado, 16 de novembro de 2019

Avaliação dos resultados da atividade "proto etnográfica"

O resultado desse projeto de extensão que visava, além de uma introdução ao trabalho de campo em antropologia, realizar um levantamento da cena de festas e entretenimento em Cuiabá, foi surpreendente, tanto para a tutora das atividades, como aos próprios participantes.
O trabalho de campo, baseado na maioria dos casos em observação participante e em outros em entrevistas, foi um pequeno treino, sem a profundidade da experiência profissional, mas possibilitou aos aprendizes algumas conquistas. Primeiro, fizeram um exercício de relativizar suas concepções em face da visão de mundo dos “nativos”. Segundo, exercitaram um olhar para os detalhes que compõem os cenários sociais das pessoas que ocupam um dado lugar. Terceiro, foram capazes de perceber a necessidade de conceitos mais focados para empreender a interpretação do contexto que estudavam, o que os despertou e estimulou para mais avanços nos estudos na direção apontada pelas observações em campo. Alguns estudantes não realizaram o diário de campo no formato clássico, de caráter literário e de detalhada descrição, apresentando seus registros em slides ou de forma muito resumida. Ainda assim, houve ganhos, pois na apresentação oral em sala, foi possível perceber a potencialidade de vários desses campos para futuras pesquisas. 

Foi surpreendente descobrir que a cidade do rasqueado, do cururu e do siriri tem uma diversidade em festas e entretenimento riquíssima. Descobrimos um espaço underground de rock metal respeitado por seus frequentadores, onde se observa que os usuários não são apenas fãs de um gênero musical, há a aderência a um estilo de vida, no qual as roupas pretas com símbolos típicos compõem com a música, cujas letras revelam um conteúdo político de contra discurso ao capitalismo. Assim, observa-se que uma forma de lazer de fato pode conter toda uma visão de mundo. Trata-se de um objeto que merece ser mais explorado.
As festas de santo tão conhecidas na cidade apareceram como, além de uma forma de religiosidade e lazer, um dos componentes ativos na urbanização da capital cuiabana. Muitos bairros novos surgem em conjunto com uma igreja e a festividade a um santo católico. Esse é um dos resultados que um grupo de alunos alcançou fazendo um pequeno trabalho de campo baseado em entrevistas com moradores antigos e representativos do bairro Pedregal.
Na terra do rasqueado há também espaço para um movimento chamado Flash Back anos 80, o qual integra diversos grupos, alguns antigos contando já mais de 20 anos, e onde, além de realizarem festas baseadas em  trilha sonora dos anos 80, ainda participam caracterizados com roupas supostamente típicas da época. Segundo seus protagonistas, o movimento é aberto, recebe qualquer pessoa interessada, mas os grupos são fechados. Há grupos com centenas de componentes. A festa de aniversário de um desses coletivos reuniu algumas dezenas de pessoas, de todas as faixas etárias em uma festa que durou o dia inteiro a um custo simbólico e divertiu de diversas formas seus componentes. Inicia com um café da manhã coletivo e termina só depois do jantar, ou seja, é um exemplo do “passar dia” cuiabano, expressão relativa ao costume local de ir para a casa de alguém no fim de semana e só voltar para casa depois do jantar. Como alguns deles já contam com, ao menos duas décadas de funcionamento, recria-se nessa forma de lazer um ethos de “comunidade”, pois todos se conhecem, uma tendência que, ao meu ver, se repete em vários contextos cuiabanos.

A diversidade da expressão cultural local tem lugar ainda para uma sociabilidade intitulada Batalha do rap, a qual reúne jovens da periferia na Praça República todas as quintas feiras às 19 horas em grupos que disputam 2 e até 3 rounds de raps poéticos e rimados, se assim exige a plateia. Em conversa, um dos protagonistas disse que qualquer movimento expressivo da periferia é visto como coisa de “bandido”.  Outro justificou aquela presença coletiva de jovens e negros na praça acontece em função de que “os espaços culturais são bastante elitizados em Cuiabá, são espaços caros, majoritariamente de pessoas brancas. Já a batalha é feita por pessoas negras, que estão rimando e falando sobre sua realidade, ou simplesmente se manifestando.” Embora haja poucos contextos de expressão para os jovens da periferia cuiabana, a polícia faz abordagens agressivas àqueles que ali se aglomeram, muitas vezes alcançando seu objetivo de afastar os jovens da praça, uma vez que um dos jovens poetas ali presente afirmou que já observam diminuiçao na comparência. Os aprendizes de pesquisadores identificaram também a existência de outras batalhas do rap conhecidas por Batalha das Minas e Batalha do Pedra 90.

Outro local digno de destaque é o bar dos motociclistas, que reúne além do bar, uma oficina de motos e uma barbearia. O som ambiente é de rock metal e ali servem cerveja entre outras bebidas.É um local eminentemente masculino, cuja construção visual, indica sua restrição ao universo dos motociclistas, contudo, uma conversa com os frequentadores desconstruiu essa primeira impressão. Segundo a pesquisadora, é um ponto de encontro de pessoas conhecidas do motociclismo, mas não é restrito a isso, pois encontrou em outras mesas pessoas que não participavam do movimento e moradores das proximidades que admiram o movimento de motociclistas. Essa única experiência que consistiu de apenas algumas idas ao campo fez a estudante notar alguns problemas para desenvolver a pesquisa: a uniformidade dos gostos de seus interlocutores conduziu a que as respostas às perguntas formuladas fossem basicamente as mesmas. Isso a fez perceber a importância de se familiarizar mais com o grupo de modo a conseguir aprofundamento em seu universo simbólico. Ao perceber que os vários funcionários e o proprietário do negócio usavam o mesmo estilo de roupa, sondou a respeito disso. A resposta do proprietário mostrou que se trata de algo mais do que um comércio. É, segundo suas palavras, um modo de vida que tem uma influência americana. A estudante afirma ter inclusive cometido uma gafe chamando-os diversas vezes de “motoqueiros”, ao que foi gentilmente corrigida e informada que o termo certo é “motociclistas”. Experiência que permitiu à aprendiz ter seu primeiro contato antropológico com uma categoria nativa. Segundo o interlocutor, o primeiro termo tem uma conotação pejorativa. Uma das perguntas da aprendiz conduz a uma resposta que indica a existência de preconceitos contra os motociclistas e a associação de sua imagem com bagunça e vandalismo, uma impressão que também fazia parte do juízo da pesquisadora. Sua conclusão é interessante: embora a visualidade constitua uma uniformidade no grupo, as conversas mostraram que não se trata de um coletivo fechado e nem homogêneo.
O relato sobre o forró no Bode chic mostra como o interesse da autora por aquele gênero musical facilitou sua integração em uma cidade estranha e permitiu conhecer o que José Guilherme Magnani chama de circuito, uma rota de habitués de determinadas práticas urbanas. Em Cuiabá, ela afirma que não tinha ouvido falar em forró, mas ao manifestar seu interesse, descobriu um local onde os apreciadores da cultura nordestina, ou especificamente da culinária e da música nordestina podem se satisfazer, ou para os migrantes matar a saudade. Seu relato tem um forte tom etnográfico, uma vez que já o inicia com uma comparação, mostrando como um local comercial incorpora uma atmosfera doméstica, familiar, de uma casa. A discente do curso de psicologia captou o espírito do diário de campo. Ela diz: “Quase tudo tem um tom de casa. À primeira vista não difere de uma casa “familiar” com um amplo alpendre sombreado por muitas árvores e também, bem ao centro, por um caramanchão metálico com ramagens espalhadas por ele todo. Logo que se cruza o portão de entrada, a brita que forra o chão oferece passos tão incertos quanto quando se é visita na casa de alguém pouco íntimo. As cadeiras de vime de assento largo obrigam maior relaxamento para acessar o encosto e as mesas, da altura dos joelhos, até fazem possível descansar as pernas sobre elas. Não estivessem as mesas e cadeiras agrupadas e habitadas por alguns clientes distribuídos de forma aleatória, assim como a iluminação sobre elas, eu tocaria a campainha e esperaria alguém de dentro permitir que entrasse.” Esse passo inicial de investigação revelou alguns obstáculos da pesquisa social: uma dificuldade de empatia dos entrevistados com o interesse da pesquisadora. A entrado no campo de pesquisa sempre oferece essas barreiras iniciais para integração. É uma característica da vida social que cada grupo tenha suas fronteiras e que exija alguma negociação para ultrapassá-las. Em pouca conversa, a discente descobre que já existiu um Centro de Tradições Nordestinas, localizado no CPA, fechado falta de uma administração adequada, segundo o informante. O local, bode chic, deve sua existência devido ao sonho do proprietário, um migrante pernambucano,  e das demandas dos migrantes nordestinos em Cuiabá para que houvesse um local expressivo dessa cultura regional. Seu sonho ainda é deixar uma praça em Cuiabá com um estátua de Luiz Gonzaga.

Outro registro interessante é o que foi feito na Casa Rio, localizada próxima ao Museu do Rio, onde se reúne um público “alternativo”, nas palavras dos administradores do local. Essa é mais uma categoria nativa, que se refere à jovens universitários e LGBTs que escolheram o local porque ali podem se expressar sem interdição de orientação de gênero. O preço baixo da entrada e o fato de ser “rolha free” atrai  centenas de jovens que formam fila no local carregados com isopores cheios de bebidas alcoólicas e lotam o espaço localizado na casa centenária proveniente do tempo da escravidão, com capacidade para 1.600 pessoas, considerando o espaço do quintal. Devido a isso esse programa é conhecido entre seu público como “rolê econômico”. O relato descreve a diversidade do público presente e define, ao mesmo tempo, o que quer dizer “público alternativo”: “Homens de perucas baratas e vestidos emprestados de alguma amiga, claramente saindo “montado” de casa pela primeira vez; drag queens profissionais, casais heterossexuais expressando toda sua paixão, camisetas polos e bonés de aba reta, camisetas transparentes e maquiagem, sem camisas e shorts curtos e muito, mas muito glitter. Aparentemente, se torna necessário pelo menos um copo de bebida alcoólica na mão. Nesse ponto, a música predominante ainda era o POP internacional e nacional. Contudo, conforme a festa progredia na noite, os ritmos musicais tocados pelos DJs se tornam os mais distintos possíveis, chegando até mesmo a ser cômico, passando por vários os gêneros musicais de Punk Rock e Pop, chegando a ir à “Sofrência” e Lambadão.”

O resultado desse projeto de extensão que visava, além de uma introdução ao trabalho de campo em antropologia, realizar um levantamento da cena de festas e entretenimento em Cuiabá, foi  surpreendente, tanto para a tutora das atividades, como aos próprios participantes.
O trabalho de campo, baseado na maioria dos casos em observação participante e em outros em entrevistas, foi um pequeno treino, sem a profundidade da experiência profissional, mas possibilitou aos aprendizes algumas conquistas. Primeiro, fizeram um exercício de relativizar suas concepções em face da visão de mundo dos “nativos”. Segundo, exercitaram um olhar para os detalhes que compõem os cenários sociais das pessoas que ocupam um dado lugar. Terceiro, foram capazes de perceber a necessidade de conceitos mais focados para empreender a interpretação do contexto que estudavam, o que os despertou e estimulou para mais avanços nos estudos na direção apontada pelas observações em campo. Alguns estudantes não realizaram o diário de campo no formato clássico, de caráter literário e de detalhada descrição, apresentando seus registros em slides ou de forma muito resumida. Ainda assim, houve ganhos, pois na apresentação oral em sala, foi possível perceber a potencialidade de vários desses campos para futuras pesquisas. 

Foi surpreendente descobrir que a cidade do rasqueado, do cururu e do siriri tem uma diversidade em festas e entretenimento riquíssima. Descobrimos um espaço underground de rock metal respeitado por seus frequentadores, onde se observa que os usuários não são apenas fãs de um gênero musical, há a aderência a um estilo de vida, no qual as roupas pretas com símbolos típicos compõem com a música, cujas letras revelam um conteúdo político de contra discurso ao capitalismo. Assim, observa-se que uma forma de lazer de fato pode conter toda uma visão de mundo. Trata-se de um objeto que merece ser mais explorado.


As festas de santo tão conhecidas na cidade apareceram como, além de uma forma de religiosidade e lazer, um dos componentes ativos na urbanização da capital cuiabana. Muitos bairros novos surgem em conjunto com uma igreja e a festividade a um santo católico. Esse é um dos resultados que um grupo de alunos alcançou fazendo um pequeno trabalho de campo baseado em entrevistas com moradores antigos e representativos do bairro Pedregal.

Na terra do rasqueado há também espaço para um movimento chamado Flash Back anos 80, o qual integra diversos grupos, alguns antigos contando já mais de 20 anos, e onde, além de realizarem festas baseadas em  trilha sonora dos anos 80, ainda participam caracterizados com roupas supostamente típicas da época. Segundo seus protagonistas, o movimento é aberto, recebe qualquer pessoa interessada, mas os grupos são fechados. Há grupos com centenas de componentes. A festa de aniversário de um desses coletivos reuniu algumas dezenas de pessoas, de todas as faixas etárias em uma festa que durou o dia inteiro a um custo simbólico e divertiu de diversas formas seus componentes. Inicia com um café da manhã coletivo e termina só depois do jantar, ou seja, é um exemplo do “passar dia” cuiabano, expressão relativa ao costume local de ir para a casa de alguém no fim de semana e só voltar para casa depois do jantar. Como alguns deles já contam com, ao menos duas décadas de funcionamento, recria-se nessa forma de lazer um ethos de “comunidade”, pois todos se conhecem, uma tendência que, ao meu ver, se repete em vários contextos cuiabanos.

A diversidade da expressão cultural local tem lugar ainda para uma sociabilidade intitulada Batalha do rap, a qual reúne jovens da periferia na Praça República todas as quintas feiras às 19 horas em grupos que disputam 2 e até 3 rounds de raps poéticos e rimados, se assim exige a plateia. Em conversa, um dos protagonistas disse que qualquer movimento expressivo da periferia é visto como coisa de “bandido”.  Outro justificou aquela presença coletiva de jovens e negros na praça acontece em função de que “os espaços culturais são bastante elitizados em Cuiabá, são espaços caros, majoritariamente de pessoas brancas. Já a batalha é feita por pessoas negras, que estão rimando e falando sobre sua realidade, ou simplesmente se manifestando.” Embora haja poucos contextos de expressão para os jovens da periferia cuiabana, a polícia faz abordagens agressivas àqueles que ali se aglomeram, muitas vezes alcançando seu objetivo de afastar os jovens da praça, uma vez que um dos jovens poetas ali presente afirmou que já observam diminuiçao na comparência. Os aprendizes de pesquisadores identificaram também a existência de outras batalhas do rap conhecidas por Batalha das Minas e Batalha do Pedra 90.

Outro local digno de destaque é o bar dos motociclistas, que reúne além do bar, uma oficina de motos e uma barbearia. O som ambiente é de rock metal e ali servem cerveja entre outras bebidas.É um local eminentemente masculino, cuja construção visual, indica sua restrição ao universo dos motociclistas, contudo, uma conversa com os frequentadores desconstruiu essa primeira impressão. Segundo a pesquisadora, é um ponto de encontro de pessoas conhecidas do motociclismo, mas não é restrito a isso, pois encontrou em outras mesas pessoas que não participavam do movimento e moradores das proximidades que admiram o movimento de motociclistas. Essa única experiência que consistiu de apenas algumas idas ao campo fez a estudante notar alguns problemas para desenvolver a pesquisa: a uniformidade dos gostos de seus interlocutores conduziu a que as respostas às perguntas formuladas fossem basicamente as mesmas. Isso a fez perceber a importância de se familiarizar mais com o grupo de modo a conseguir aprofundamento em seu universo simbólico. Ao perceber que os vários funcionários e o proprietário do negócio usavam o mesmo estilo de roupa, sondou a respeito disso. A resposta do proprietário mostrou que se trata de algo mais do que um comércio. É, segundo suas palavras, um modo de vida que tem uma influência americana. A estudante afirma ter inclusive cometido uma gafe chamando-os diversas vezes de “motoqueiros”, ao que foi gentilmente corrigida e informada que o termo certo é “motociclistas”. Experiência que permitiu à aprendiz ter seu primeiro contato antropológico com uma categoria nativa. Segundo o interlocutor, o primeiro termo tem uma conotação pejorativa. Uma das perguntas da aprendiz conduz a uma resposta que indica a existência de preconceitos contra os motociclistas e a associação de sua imagem com bagunça e vandalismo, uma impressão que também fazia parte do juízo da pesquisadora. Sua conclusão é interessante: embora a visualidade constitua uma uniformidade no grupo, as conversas mostraram que não se trata de um coletivo fechado e nem homogêneo.
O relato sobre o forró no Bode chic mostra como o interesse da autora por aquele gênero musical facilitou sua integração em uma cidade estranha e permitiu conhecer o que José Guilherme Magnani chama de circuito, uma rota de habitués de determinadas práticas urbanas. Em Cuiabá, ela afirma que não tinha ouvido falar em forró, mas ao manifestar seu interesse, descobriu um local onde os apreciadores da cultura nordestina, ou especificamente da culinária e da música nordestina podem se satisfazer, ou para os migrantes matar a saudade. Seu relato tem um forte tom etnográfico, uma vez que já o inicia com uma comparação, mostrando como um local comercial incorpora uma atmosfera doméstica, familiar, de uma casa. A discente do curso de psicologia captou o espírito do diário de campo. Ela diz: “Quase tudo tem um tom de casa. À primeira vista não difere de uma casa “familiar” com um amplo alpendre sombreado por muitas árvores e também, bem ao centro, por um caramanchão metálico com ramagens espalhadas por ele todo. Logo que se cruza o portão de entrada, a brita que forra o chão oferece passos tão incertos quanto quando se é visita na casa de alguém pouco íntimo. As cadeiras de vime de assento largo obrigam maior relaxamento para acessar o encosto e as mesas, da altura dos joelhos, até fazem possível descansar as pernas sobre elas. Não estivessem as mesas e cadeiras agrupadas e habitadas por alguns clientes distribuídos de forma aleatória, assim como a iluminação sobre elas, eu tocaria a campainha e esperaria alguém de dentro permitir que entrasse.” Esse passo inicial de investigação revelou alguns obstáculos da pesquisa social: uma dificuldade de empatia dos entrevistados com o interesse da pesquisadora. A entrado no campo de pesquisa sempre oferece essas barreiras iniciais para integração. É uma característica da vida social que cada grupo tenha suas fronteiras e que exija alguma negociação para ultrapassá-las. Em pouca conversa, a discente descobre que já existiu um Centro de Tradições Nordestinas, localizado no CPA, fechado falta de uma administração adequada, segundo o informante. O local, bode chic, deve sua existência devido ao sonho do proprietário, um migrante pernambucano,  e das demandas dos migrantes nordestinos em Cuiabá para que houvesse um local expressivo dessa cultura regional. Seu sonho ainda é deixar uma praça em Cuiabá com um estátua de Luiz Gonzaga.

Outro registro interessante é o que foi feito na Casa Rio, localizada próxima ao Museu do Rio, onde se reúne um público “alternativo”, nas palavras dos administradores do local. Essa é mais uma categoria nativa, que se refere à jovens universitários e LGBTs que escolheram o local porque ali podem se expressar sem interdição de orientação de gênero. O preço baixo da entrada e o fato de ser “rolha free” atrai  centenas de jovens que formam fila no local carregados com isopores cheios de bebidas alcoólicas e lotam o espaço localizado na casa centenária proveniente do tempo da escravidão, com capacidade para 1.600 pessoas, considerando o espaço do quintal. Devido a isso esse programa é conhecido entre seu público como “rolê econômico”. O relato descreve a diversidade do público presente e define, ao mesmo tempo, o que quer dizer “público alternativo”: “Homens de perucas baratas e vestidos emprestados de alguma amiga, claramente saindo “montado” de casa pela primeira vez; drag queens profissionais, casais heterossexuais expressando toda sua paixão, camisetas polos e bonés de aba reta, camisetas transparentes e maquiagem, sem camisas e shorts curtos e muito, mas muito glitter. Aparentemente, se torna necessário pelo menos um copo de bebida alcoólica na mão. Nesse ponto, a música predominante ainda era o POP internacional e nacional. Contudo, conforme a festa progredia na noite, os ritmos musicais tocados pelos DJs se tornam os mais distintos possíveis, chegando até mesmo a ser cômico, passando por vários os gêneros musicais de Punk Rock e Pop, chegando a ir à “Sofrência” e Lambadão.”

Apareceram ainda experiências de campo direcionadas ao estudo da tradicional Festa de São Benedito na igreja do Rosário. Trata-se de pesquisas sobre temas já muito estudados, o que em absoluta invalida a iniciativa, dado que  registram alterações na dinâmica festiva. A festa do santo negro é vista como uma oportunidade para os moradores das proximidades ganharem algum dinheiro. Contudo, a comunidade religiosa membros da organização do festejo considerou válidas as exigências da patrocinadora de não admitir a presença das concorrentes. Dentre elas, a insatisfação de participantes com a decisão dos organizadores de impedir a livre circulação de frequentadores portando cerveja de marcas que não estavam financiando o festejo. Havia uma fronteira física entre o dentro e o fora da festa controlado inclusive por seguranças, que vetavam a entrada de pessoas que consumiam cervejas de marcas concorrentes a “burguesa”patrocinadora da festa. Outra insatisfação foi suscitada pela decisão de separar os participantes entre um grupo que monta barracas “fora”da região festiva propriamente dita e são aqueles cujos lucros das vendas são direcionadas para si mesmos e as barracas que ficam “dentro”, que tem seus

Apareceram ainda experiências de campo direcionadas ao estudo da tradicional Festa de São Benedito na igreja do Rosário. Trata-se de pesquisas sobre temas já muito estudados, o que em absoluta invalida a iniciativa, dado que  registram alterações na dinâmica festiva. A festa do santo negro é vista como uma oportunidade para os moradores das proximidades ganharem algum dinheiro. Contudo, a comunidade religiosa membros da organização do festejo considerou válidas as exigências da patrocinadora de não admitir a presença das concorrentes. Dentre elas, a insatisfação de participantes com a decisão dos organizadores de impedir a livre circulação de frequentadores portando cerveja de marcas que não estavam financiando o festejo. Havia uma fronteira física entre o dentro e o fora da festa controlado inclusive por seguranças, que vetavam a entrada de pessoas que consumiam cervejas de marcas concorrentes a “burguesa”patrocinadora da festa. Outra insatisfação foi suscitada pela decisão de separar os participantes entre um grupo que monta barracas “fora” da região festiva propriamente dita e são aqueles cujos lucros das vendas são direcionadas para si mesmos e as barracas que ficam “dentro”, que tem seus rendimentos dirigidos para as obras da igreja. 
Essa cartografia do lazer e entretenimento de Cuiabá e região me permitiu formular uma hipótese de trabalho quanto ao modo de lazer local: trata-se de um tipo de lazer que usa diferentes dispositivos para recriar contextos de comunidade e familiaridade entre as pessoas. Não são locais onde estranhos se encontram, mas contextos estruturados para recriar a familiaridade. O que acham? Concordam? 

Heloisa Afonso Ariano - Docente do Departamento de Antropologia UFM

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Festa de Santo Antônio do Pedregal


DIÁRIO DE CAMPO: FESTA DE SANTO ANTÔNIO, NO BAIRRO PEDREGAL – CUIABÁ/MT
Rafael Perin dos Reis 
         Por desencontros de datas e conversações entre os membros do grupo de pesquisa de campo erigido para satisfazer a principal proposta avaliativa da disciplina de Antropologia Urbana (inserida no contexto do semestre letivo 2018/1 do curso de Ciências Sociais da UFMT Campus Cuiabá), não pude participar dos festejos de Santo Antônio do Pedregal que ocorreram entre os meses de maio e junho de 2018. Frente ao exposto, propusemos aos colegas do grupo a realização de entrevistas com alguns atores da festividade em análise, os quais nos fossem acessíveis através da intermediação de um dos nossos membros, que acabou por incorporar o papel de “informante nativo” (por ser moradora do bairro e participante da comunidade religiosa católica de tal localidade há várias décadas). Sendo assim, empreendemos a primeira rodada de entrevistas no dia 08 de setembro de 2018 (Sábado), das 14:00h as 16:00h (aproximadamente), com quatro moradores do bairro do Pedregal, localizado na cidade de Cuiabá/MT.
         Marcamos como ponto de encontro dos membros do grupo e de realização de duas entrevistas o pequeno espaço aberto em frente à Capela de Santo Antônio do Pedregal (inserida na jurisdição eclesiástica da Paróquia Sagrada Família e concomitantemente da Arquidiocese de Cuiabá), no qual deveriam estar todos os envolvidos às 14:00h. No translado até a chegada ao destino combinado, deparo-me com um detalhe da paisagem urbana que tipifica os dilemas das diferenças nos modos de vida e de ocupação dos espaços citadinos nas sociedades contemporâneas.
Seguindo pela Avenida Archimedes Pereira Lima (mais conhecida como Estrada do Moinho), no sentido Coxipó – Av. Miguel Sutil, um pouco antes de adentrar em certa rua à direta da mesma para ter acesso ao bairro do Pedregal, visualizo no lado esquerdo da via em questão dois grandes conjuntos de condomínios verticais (provavelmente acessíveis apenas à parcela populacional pertencente às classes econômicas média-alta e alta). Em uma mesma imagem, dois modelos de urbanização conflitantes e coexistentes na totalidade social brasileira: à direita, uma comunidade estruturada por habitações horizontais supostamente “precarizadas e/ou pauperizadas” (a depender do ponto de vista analítico utilizado), pertencentes a membros das classes populares; e a esquerda, um conjunto de edifícios habitacionais projetado para satisfazer os anseios dos sujeitos oriundos de classes mais abastadas economicamente, localizado em um grande espaço “vago”. Podemos considerar que essa última característica propícia uma maior expansão dessa modalidade de apropriação do espaço urbano. A mesma já é realidade em bairros “elitizados” da capital mato-grossense, alguns deles também localizados, por sinal, à esquerda da referida Avenida, que antecedem, geograficamente, àquele que estávamos empreendendo nossa pesquisa.
Cheguei ao local indicado às 13:30h e aguardei pela vinda dos outros envolvidos no empreendimento “proto-etnográfico”. Perpassada por ruas de marcante “ondulação” (sequências de subidas e descidas íngremes), a parte frontal do espaço da Capela de Santo Antônio do Pedregal figura como uma verdadeira “praça em miniatura”. Temos ali presente três a quatro bancos de madeira, dispostos entre a escadaria que dá acesso ao pátio do templo e algumas árvores frondosas dispostas na calçada. Logo à frente, um movimentado ponto de ônibus, pelo qual os transeuntes se assentavam para aguardar a linha de transporte coletivo que contempla o bairro ou simplesmente para conversar com algum conhecido e “apreciar a paisagem”. Ao lado da via que passa em frente à referida igreja, tem-se presente modelos variados de comércio (vestuário, alimentação, estética e embelezamento etc.), com destaque para os “razoavelmente” movimentados bares e/ou lanchonetes da região. O fluxo do trânsito era intenso, mesmo para um dia de sábado, com carros, motos e outros veículos sempre fluindo pela via principal.
Na área externa da igreja, destaca-se em sua fachada uma imagem de Santo Antônio disposta em um espaço aberto na parede, protegida do contato exterior por uma chapa de vidro ou acrílico, acima da porta central que dá acesso ao espaço interno da mesma. Todo o amplo terreno do templo é circunscrito por cercas metálicas vazadas na parte da frente e por um extenso muro em suas laterais e fundos. Por fim, os outros quatro membros do grupo (um homem e três mulheres) acabaram chegando, juntamente com os dois primeiros entrevistados do dia: a senhora E. B. de M. (38 anos, solteira, irmã da nossa colega “informante nativa”) e o jovem F. (15 anos, solteiro). Ambas as entrevista com os mesmos ocorreram no ambiente em frente à igreja da Comunidade Católica de Santo Antônio, descrito anteriormente.
Começamos o trabalho com a fala da senhora E. Ela relata que participa dos festejos locais desde 2015 e a mesma pode nos repassar a atual estruturação dos mesmos. Segundo a senhora E., a festa de Santo Antônio do Pedregal é antecedida em duas semanas por um ritual envolvendo orações e outras práticas espirituais, denominado “Trezena”. Através da ação da principal “benzedeira e rezadora” da comunidade, dona M. da P., são escolhidas treze famílias para receberem a imagem “peregrina” em suas respectivas residências. No final de maio, realiza-se a primeira celebração religiosa específica em honra de Santo Antônio: realiza-se uma missa sucedida pelo levantamento do mastro e pela procissão de translado da imagem do santo (carregada em um ardor e acompanhada pela bandeira da mesma figura sagrada) para a primeira casa escolhida para a realização da “Trezena”. A partir daí, a imagem será levada de casa em casa até o final dos treze dias de trabalhos espirituais. Após o décimo-terceiro dia da “Trezena”, a imagem “peregrina” é levada de volta para o interior da igreja e a comunidade se empenha nas práticas de oração e súplica durante, aproximadamente, cinco dias.
Alguns pontos sobre a dinâmica da “Trezena” podem ser destacados a partir da fala da senhora E. Cada uma das treze famílias escolhidas para “receber o santo em casa” devem contribuir de alguma maneira com a realização da festa de santo (ou materialmente, como doação em dinheiro, alimentos ou produtos diversos, ou com serviços prestados voluntariamente na organização e na execução do evento). A escolhida dessas famílias se dá através de um pretenso “sorteio democrático, regido pela eleição do Espírito Santo”, mas que, segundo nossa primeira entrevistada, a voz decisória sempre é a da influente liderança comunitária, dona M. da P. O roteiro de rezas, contendo ladainhas, terços, reflexões etc., que são executadas na “Trezena” foi compilado em um documento impresso para facilitar os trabalhos dos participantes. Após a exposição de tal pontuação, pude perceber também a similaridade nas vestimentas “informais” da senhora E. e do jovem F. Ambos estavam trajados com camisetas “oficiais” da comunidade paroquial da Sagrada Família, contendo na parte da frente a imagem impressa de Santo Antônio, bermudas (ou shorts) jeans e sandálias de borracha.
         Segundo a senhora E., após o quinto dia de orações com a imagem do santo na igreja, realiza-se um tríduo de missas (sexta-feira, sábado e domingo) que é acompanhado pela execução de três dias de festividades em comemoração a Santo Antônio do Pedregal. No período noturno desses dias, após a realização da celebração religiosa, dá-se a execução de atividades variadas, como: bailão noturno (na noite de sábado), bingo (na noite de domingo), barracas de bebidas (incluindo as de teor alcoólico) e alimentos diversos, pula-pula (em todas as noites de festejos) entre outras. A festa de santo no bairro Pedregal iniciou-se há 40 anos, sendo que o próprio nome oficial da localidade é, segundo a entrevistada, “Comunidade Santo Antônio do Pedregal”. Ela relata que há alguns anos, a festa era composta por quatro dias (incluía-se o dia de quinta-feira), porém acabou sendo reduzido para a atual formatação pelos seguintes fatores: ocorrência de brigas e eventos de violência nas proximidades da festa e, durante certo período, a proibição da venda de bebidas alcoólicas, que levou a diminuição do público participante e, consequentemente, da arrecadação do evento.
         Breve foi o contato com o jovem F., que relatou ter participado pela primeira vez (2018) das atividades realizadas em comemoração a Santo Antônio do Pedregal – “Trezena”, tríduo de missas e festejos. Ele relatou que no ano de 2018 também foi a primeira ocasião em que o grupo de jovens da comunidade participou da coordenação do evento. Tal grupo, intitulado “Sentinelas do Amanhã”, é formado por 30 membros, entre doze e trinta anos de idade – em média, que se reúnem todos os primeiros e terceiros domingos de cada mês, às 17:30h. Tanto o jovem F. como à senhora E. expressaram nutrir “sentimentos positivos frente à demonstração da fé depositada na figura do santo”, especialmente em agradecimento as causas – “graças” – alcançadas através de sua interseção. Por volta das 14:30h, finalizamos os trabalhos em frente à igreja, nos despedimos do jovem F. e fomos todos (a senhora E. e os cinco membros do grupo de pesquisa) para a residência do próximo entrevistado. Deslocando-nos por ruas e esquinas do interior do bairro (observando em certos locais pessoas conversando nas calçadas, grupos de homens “provavelmente” embriagados discutindo algum assunto ao fundo e algumas crianças brincando ao lado da via) chegamos ao local indicado e fomos recebidos pelo senhor W. T. (71 anos).
Ao entrar na casa, pude perceber alguns elementos de cunho religioso – como crucifixos, imagens e quadros de figuras sagradas católicas – e características das habitações urbanas periféricas brasileiras – extenso quintal ao largo da construção de alvenaria, construção inacabada de edícula (ou “puxadinho”) aos fundos da residência principal etc. Fomos convidados a nos sentar à mesa localizada aos fundos da residência, para realizar a entrevista. O senhor W., que nos havia recebido trajando apenas bermudas de brim e sandálias de borracha, vagarosamente vestiu uma camisa de botão branca, retirou um rifle de caça de cima da mesa para o por em um móvel ao lado e sentou-se para iniciarmos os trabalhos. Destaco que a presença do inesperado elemento bélico acima citado causou certo estranhamento e apreensão a alguns membros do grupo de pesquisa, mas logo foi ignorado durante a transcorrência das falas.
O senhor W. pode ser considerado um dos principais fundadores da comunidade do Pedregal, tanto na esfera religiosa como na sociopolítica. Ele inicia seu relato dizendo que “veio do interior de Mato Grosso para Cuiabá na data de 07 de maio de 1976”. Ele e mais oito famílias se acomodaram em estruturas habitacionais compostas de barracas de lona, constituindo assim o “grilo” da atual região que abriga o bairro. Através dos contatos que o Senhor W. tinha junto a funcionários públicos da Prefeitura de Cuiabá, do Governo do Estado e da Polícia do Exército, além de políticos da época, iniciou-se a regularização fundiária da região. Esse processo foi marcado por conflitos e tensões ligados as tentativas de reintegração de posse, despejo, como também pela desapropriação dos terrenos, doação dos mesmos aos recém-chegados moradores e estruturação dos aparelhos de serviço urbano públicos. O entrevistado relata o constante envolvimento das lideranças comunitárias a fim de ajudarem a todos os membros da comunidade que chegavam para assentar-se (como, por exemplo, mutirão de coleta e distribuição de pães para as famílias mais necessitadas).
Ainda no ano de 1976, deu-se início também a comunidade católica do Pedregal, a partir da realização da primeira missa na casa do senhor W., com a presença do padre da paróquia da região e de outras quarente pessoas. O entrevistado relata que ele e sua família já participavam anteriormente de movimentos religiosos e acabaram por se tornar os primeiros líderes da recém-formada comunidade eclesiástica. O primeiro clérigo a prestar os serviços religiosos na região designou que agentes de igrejas próximas (São Judas Tadeu e Nossa Senhora de Fátima) viessem ao Pedregal para treinar as lideranças comunitárias nos assuntos pastorais, além de ajuda-los com insumos materiais. Os fiéis católicos eram “conclamados” a participar das celebrações religiosas na comunidade através de um “alto-falante alimentado por pilhas”. O senhor W. afirma que auxiliou na organização de grupos de jovens durante os anos que liderou ou auxiliou na liderança da comunidade religiosa, além de ter contato com grupo semelhante estabelecido na UFMT (“Grupo Rondon”). Através de suas amizades e influências no âmbito social, político e religioso, o entrevistado fomentou a construção do templo, durante três fases.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Identidade e cultura no Cavernas Rock Bar



Diário do Projeto de Extensão de Antropologia

A identidade e cultura do “Cavernas Rock Bar”

Um breve relato sobre os acontecimentos do trabalho de campo no Cavernas Rock Bar. Este diário busca apenas relatar algumas observações empíricas.

Cuiabá 2018

Aluno: Mateus Matos Bezerra 
Professora: Heloisa Afonso Ariano Local: Cavernas Rock Bar


Sumário
  1. 1.1  Introdução ........................................................................................................ 4
  2. 1.2  Diário de campo do dia 14/06/2018 Prelúdio ................................................. 5
  3. 1.3  Diário de campo do dia 15/06/2018 A imprevisibilidade na primeira visita ..... 7
  4. 1.4  Diário de campo do dia 12/07/2018 Entrevista elucidativa ........................... 16
  5. 1.5  Diário de campo do dia 11/08/2018 Speed Metal Union .............................. 22
  6. 1.6  Diário de campo do dia 21/09/2018 A primeira visita de Heloisa Ariano. ..... 27
  7. 1.7  Conclusão ...................................................................................................... 31
  8. 1.8  Anexos ........................................................................................................... 32
  9. 1.9  Referências Bibliográficas .............................................................................. 34
1.1 Introdução
Este diário de campo busca relatar, sem alterações posteriores, a impressão exata, mesmo que incorreta, que obtive no processo de construção do trabalho. Todo e qualquer erro teórico que trago neste trabalho foi mantido, com o objetivo de melhor detalhar e descrever, futuramente, no relatório que o grupo entregará.
Dado isto, este trabalho traz vagas, mas interessantes, observações a respeito do estilo de vida do Metal em Cuiabá, mais especificamente no Cavernas Rock Bar. Ademais, ele busca detalhar e descrever as dificuldades que tivemos no trabalho de campo, que gerou-se, devido ao fato de ser o nosso primeiro trabalho, que fizemos enquanto aprendíamos mais sobre o tema, no caso, antropologia, ou, como se denomina a matéria que nos possibilitou esta experiência, Introdução a Antropologia, exemplifica bem.
1.2 Diário de campo do dia 14/06/2018 Prelúdio
No dia 14 de junho, quinta-feira, fizemos uma reunião com os membros do grupo. Ao chegar na UFMT, que estava em greve estudantil, debatemos alguns pontos do questionário (Anexo 1 e 2). Com a finalidade de obtermos uma melhor compreensão do local, por meio da organização das ideias. Para isso, conversamos com o Kevin, frequentador do local e membro do grupo. Com isso, saberíamos o que mudar no questionário, para evitar qualquer incômodo ou conflito desnecessário na entrevista. Dentre os temas que debatemos, a respeito de retirada ou permanência na entrevista, estão religião, gêneros musicais e sexualidade.
Kevin pediu para retirar a questão da religião, pois, o bar não tem a religião como importante para o estilo de vida, e quando se afirmam como satanistas ou ateus é mais por ser adequado à esse estilo de vida. Ademais, existe a possibilidade de proporcionar um desgaste com os entrevistados, visto que, muitos não se interessam pelo tema, por isso podem tomar isso como ofensa e começar uma discussão verbal. Esta parte, descrita como possível causa de desentendimento, gera-se devido ao White Metal, pelo qual se descreve como subgênero do Metal, que apresenta temática cristã, oposta ao Death Metal e Black Metal, vertentes que apresentam muitos adeptos no Cavernas.
Outrossim, houve um reaproveitamento de questões sobre o Rock e seus subgêneros, uma vez que o foco do bar é o Metal. Apesar de que o bar apresenta diversos eventos com bandas locais do Rock Autoral, além de outros gêneros. Porém, dependendo do evento haverá pessoas com público eclético ou não, e isso deve ser bem perguntado durante as entrevistas, por conseguinte, também deve ser planejada adequadamente.
Além disso, Já a questão de sexualidade apresentou-se fora da pesquisa. Pelos motivos de algum frequentador se sentir ofendido, interpretando-nos mal. Começamos a ver que entrevistar pode ser delicado no Cavernas, algumas questões começaram a se tornar secundárias ou nulas para o objetivo da pesquisa.
Por fim, decidimos ir ao “Cavernas Rock Bar” quando não houvessem eventos. Corrigidos os equívocos do planejamento inicial, evitando conflitos iniciais, marcamos a data do primeiro contato. Afinal, o intuito era decidir os caminhos da pesquisa, qual
percorrer e qual não. Visto isso, começamos a entender as complicações de um trabalho de campo. Mesmo sem ir ao local, o simples planejamento demanda calma e conhecimento prévio.
1.3 Diário de campo do dia 15/06/2018 A imprevisibilidade na primeira visita
Chegamos ao local às 19h, era 15 de Junho, uma sexta-feira. Fazia frio, algo atípico na capital mato-grossense. O Cavernas se encontra na Avenida Barão de Melgaço, o que garante um fácil acesso por transportes públicos. Podemos observar de imediato que as mesas já estavam postas na calçada e o bar estava aberto, porém, até aquele momento, vazio. O local tem em sua vizinhança algumas casas, as quais fazem parte das características do centro cuiabano, pequenas e com janelas com grade externa, impossibilitando invasões, além do portão de ferro pequeno que impede a entrada para a escada que leva a casa. A entrada é composta por uma pintura preta e uma logomarca do Capitão Caverna, com Cavernas, escrito logo abaixo, e neon ao fundo. Observa-se que o fluxo de veículos é intenso, devido ao horário de pico no trânsito. Observa-se também que há quatro estacionamentos ao lado do bar, sendo um pago.
Durante trinta minutos tudo que fizemos foi observar a decoração do interior do bar. Conclui-se que é impossível ignorar a decoração ou deixar de admirá-la, principalmente pelo fato dela ser diversificada. Há aranhas e teias pelo teto; guitarras penduradas ao lado do caixa apresentam um aspecto de uso; há pôsteres de diversos filmes colados no teto, os temas que circulam são os de ficção científica, terror, suspense, ação e alguns de comédia, geralmente os filmes apresentam como tema a violência; há também quadros pelo ambiente, de diversos temas, dentre eles os surrealistas se destacam, pelo tamanho e qualidade, existem dois em cada parede lateral do bar; Do lado esquerdo das portas estão um armário com camisetas, alguns cones e um fliperama que parece estar inativo; perto da bancada do bar há uma estante com estátuas para vender; existe um fliperama quebrado que é usado como moldura para um quadro, do qual não reparei muito, mas irei prestar mais atenção na próxima visita; há duas mesas de sinuca no bar; Em relação a iluminação do ambiente, tem-se a intensidade certa de luz, dando um tom sombrio para o bar. Foram colocadas luminárias de morcego, e sobre a mesa de sinuca, foi aproveitado dois cones para iluminação das mesas de sinuca. A respeito da cor, algumas lâmpadas são amarelas outras brancas. Desta forma, a maneira que é colocado cada objeto, com diversos
estilos da arte, mostram para quem nunca foi, um resumo do ambiente. Diverso, porém, com elementos que fazem parte daquele estilo de vida.
Eu e Gabriel encontramos com a Paola na entrada e já começamos a esclarecer sobre as informações do bar. Após um breve cumprimento, a Paola nos avisa que haverá um evento, o que se caracterizava em um imprevisto, visto que era planejado ir a um dia sem eventos. Porém, esse evento nos escapou durante nossa pesquisa na página do Facebook. Ao perguntar para o garçom, nenhuma informação além do preço foi nos dado, ele aparentava estar com pressa e bastante estressado com a organização, talvez porque estava sozinho. Dito isso, apesar do planejamento, que era fazer um trabalho etnográfico prévio, foi decidido que um dia sem evento era melhor, para conversar com o proprietário e funcionários, visto que, dia de evento é agitado, devido à demanda de afazeres para execução do mesmo. Ademais o evento ainda era pago, assim, nós nem havíamos previsto esse gasto.
Dessa forma, decidimos adiar o planejamento, que era de pedir autorização e entrevistar o proprietário do Cavernas, pois, ele e os funcionários estariam ocupados com a organização do evento, impossibilitando entrevistas ou qualquer interação.
Ademais, além do grupo não ter planejado as despesas, ocorreu o fato de nem todos poderem ficar até tarde, visto que, teria a apresentação de várias bandas e o evento começaria às 23h. Logo, houve um afastamento exacerbado do planejamento oficial. Destarte, apenas eu e Gabriel poderíamos ficar após às 21h, o que foi nossa escolha. Assim, realizaríamos uma análise do ambiente para encontrar a identidade do local e comparar com a nossa cultura.
Voltemos às primeiras impressões do local, ainda consta aqui muito senso comum, devido à falta de conhecimento sobre a especificidade da sociedade. Por volta das 19:30h sentamos no interior do bar, pedimos algumas cervejas, jogamos sinuca e começamos o estudo etnográfico. Até esse momento, não havia nenhum frequentador no bar, apenas nós e um único garçom, o qual parecia correr para arrumar tudo que estava ao seu alcance.
Após alguns minutos as pessoas chegam ao bar e com elas se adquire uma variedade de identidades, aparentemente o cavernas traz consigo uma pluralidade de pessoas e tradições, desta forma, cada um aproveita o local à sua maneira. Com isso, pode-se ver um prelúdio do que o Cavernas carrega socialmente, um bar inclusivo, do
qual qualquer pessoa pode participar, sem ser julgada por vestimentas. Ninguém nos reprime por estarmos vestidos com roupas fora do padrão do local, o que é percebido e detalhado logo mais.
Fonte: https://www.facebook.com/cavernascuiaba/
Assim, enquanto jogávamos sinuca observávamos o ambiente. Começo a observar os três homens que estavam em uma mesa, deu para ouvir que discutiam sobre esportes, mais especificamente sobre NFL, NBA, e futebol. Eles não carregavam os signos do Rock em suas aparências, as quais eram calças e camisetas básicas, em todos. Até aqui pessoas comuns, com conversa comum, em um bar na região central. Em outra mesa um homem foi beber sua cerveja em silêncio, este já apresentava uma característica do Rock, uma camisa preta, calça jeans e coturno. O bar tem diversidade em sua clientela, além do nicho do cenário underground do Rock e Metal, encontra-se o cidadão comum, que gosta de cerveja gelada e talvez escute Rock, pois a música não estava tocando no ambiente ainda, além do Jukebox não estar liberada no dia, pela ocorrência do evento. Após um período tanto o grupo, quanto o rapaz foram embora. Aparentemente há pessoas que vão ao bar, pois além de ser um cenário para o Metal, é um bar bem decorado e limpo.
Então chegou um grupo de mulheres, as quais se caracterizavam com roupas que possibilita visualizar uma identidade, tendo então materiais para a realização do estudo etnográficos. Uma delas tinha jaqueta de couro, com o emblema de um grupo

Diário do Projeto de Extensão de Antropologia
A identidade e cultura do “Cavernas Rock Bar”
Cuiabá 2018
Universidade Federal de Mato Grosso
Mateus Matos Bezerra
Diário do Projeto de Extensão de Antropologia
A identidade e cultura do “Cavernas Rock Bar”
Um breve relato sobre os acontecimentos do trabalho de campo no Cavernas Rock Bar. Este diário busca apenas relatar algumas observações empíricas.
Cuiabá 2018
Projeto de extensão da UFMT Aluno: Mateus Matos Bezerra Professora: Heloisa Afonso Ariano Local: Cavernas Rock Bar
Tema: Identidade e Cultura
Sumário
  1. 1.1  Introdução ........................................................................................................ 4
  2. 1.2  Diário de campo do dia 14/06/2018 Prelúdio ................................................. 5
  3. 1.3  Diário de campo do dia 15/06/2018 A imprevisibilidade na primeira visita ..... 7
  4. 1.4  Diário de campo do dia 12/07/2018 Entrevista elucidativa ........................... 16
  5. 1.5  Diário de campo do dia 11/08/2018 Speed Metal Union .............................. 22
  6. 1.6  Diário de campo do dia 21/09/2018 A primeira visita de Heloisa Ariano. ..... 27
  7. 1.7  Conclusão ...................................................................................................... 31
  8. 1.8  Anexos ........................................................................................................... 32
  9. 1.9  Referências Bibliográficas .............................................................................. 34
1.1 Introdução
Este diário de campo busca relatar, sem alterações posteriores, a impressão exata, mesmo que incorreta, que obtive no processo de construção do trabalho. Todo e qualquer erro teórico que trago neste trabalho foi mantido, com o objetivo de melhor detalhar e descrever, futuramente, no relatório que o grupo entregará.
Dado isto, este trabalho traz vagas, mas interessantes, observações a respeito do estilo de vida do Metal em Cuiabá, mais especificamente no Cavernas Rock Bar. Ademais, ele busca detalhar e descrever as dificuldades que tivemos no trabalho de campo, que gerou-se, devido ao fato de ser o nosso primeiro trabalho, que fizemos enquanto aprendíamos mais sobre o tema, no caso, antropologia, ou, como se denomina a matéria que nos possibilitou esta experiência, Introdução a Antropologia, exemplifica bem.
1.2 Diário de campo do dia 14/06/2018 Prelúdio
No dia 14 de junho, quinta-feira, fizemos uma reunião com os membros do grupo. Ao chegar na UFMT, que estava em greve estudantil, debatemos alguns pontos do questionário (Anexo 1 e 2). Com a finalidade de obtermos uma melhor compreensão do local, por meio da organização das ideias. Para isso, conversamos com o Kevin, frequentador do local e membro do grupo. Com isso, saberíamos o que mudar no questionário, para evitar qualquer incômodo ou conflito desnecessário na entrevista. Dentre os temas que debatemos, a respeito de retirada ou permanência na entrevista, estão religião, gêneros musicais e sexualidade.
Kevin pediu para retirar a questão da religião, pois, o bar não tem a religião como importante para o estilo de vida, e quando se afirmam como satanistas ou ateus é mais por ser adequado à esse estilo de vida. Ademais, existe a possibilidade de proporcionar um desgaste com os entrevistados, visto que, muitos não se interessam pelo tema, por isso podem tomar isso como ofensa e começar uma discussão verbal. Esta parte, descrita como possível causa de desentendimento, gera-se devido ao White Metal, pelo qual se descreve como subgênero do Metal, que apresenta temática cristã, oposta ao Death Metal e Black Metal, vertentes que apresentam muitos adeptos no Cavernas.
Outrossim, houve um reaproveitamento de questões sobre o Rock e seus subgêneros, uma vez que o foco do bar é o Metal. Apesar de que o bar apresenta diversos eventos com bandas locais do Rock Autoral, além de outros gêneros. Porém, dependendo do evento haverá pessoas com público eclético ou não, e isso deve ser bem perguntado durante as entrevistas, por conseguinte, também deve ser planejada adequadamente.
Além disso, Já a questão de sexualidade apresentou-se fora da pesquisa. Pelos motivos de algum frequentador se sentir ofendido, interpretando-nos mal. Começamos a ver que entrevistar pode ser delicado no Cavernas, algumas questões começaram a se tornar secundárias ou nulas para o objetivo da pesquisa.
Por fim, decidimos ir ao “Cavernas Rock Bar” quando não houvessem eventos. Corrigidos os equívocos do planejamento inicial, evitando conflitos iniciais, marcamos a data do primeiro contato. Afinal, o intuito era decidir os caminhos da pesquisa, qual
percorrer e qual não. Visto isso, começamos a entender as complicações de um trabalho de campo. Mesmo sem ir ao local, o simples planejamento demanda calma e conhecimento prévio.

1.3 Diário de campo do dia 15/06/2018 A imprevisibilidade na primeira visita
Chegamos ao local às 19h, era 15 de Junho, uma sexta-feira. Fazia frio, algo atípico na capital mato-grossense. O Cavernas se encontra na Avenida Barão de Melgaço, o que garante um fácil acesso por transportes públicos. Podemos observar de imediato que as mesas já estavam postas na calçada e o bar estava aberto, porém, até aquele momento, vazio. O local tem em sua vizinhança algumas casas, as quais fazem parte das características do centro cuiabano, pequenas e com janelas com grade externa, impossibilitando invasões, além do portão de ferro pequeno que impede a entrada para a escada que leva a casa. A entrada é composta por uma pintura preta e uma logomarca do Capitão Caverna, com Cavernas, escrito logo abaixo, e neon ao fundo. Observa-se que o fluxo de veículos é intenso, devido ao horário de pico no trânsito. Observa-se também que há quatro estacionamentos ao lado do bar, sendo um pago.
Durante trinta minutos tudo que fizemos foi observar a decoração do interior do bar. Conclui-se que é impossível ignorar a decoração ou deixar de admirá-la, principalmente pelo fato dela ser diversificada. Há aranhas e teias pelo teto; guitarras penduradas ao lado do caixa apresentam um aspecto de uso; há pôsteres de diversos filmes colados no teto, os temas que circulam são os de ficção científica, terror, suspense, ação e alguns de comédia, geralmente os filmes apresentam como tema a violência; há também quadros pelo ambiente, de diversos temas, dentre eles os surrealistas se destacam, pelo tamanho e qualidade, existem dois em cada parede lateral do bar; Do lado esquerdo das portas estão um armário com camisetas, alguns cones e um fliperama que parece estar inativo; perto da bancada do bar há uma estante com estátuas para vender; existe um fliperama quebrado que é usado como moldura para um quadro, do qual não reparei muito, mas irei prestar mais atenção na próxima visita; há duas mesas de sinuca no bar; Em relação a iluminação do ambiente, tem-se a intensidade certa de luz, dando um tom sombrio para o bar. Foram colocadas luminárias de morcego, e sobre a mesa de sinuca, foi aproveitado dois cones para iluminação das mesas de sinuca. A respeito da cor, algumas lâmpadas são amarelas outras brancas. Desta forma, a maneira que é colocado cada objeto, com diversos
estilos da arte, mostram para quem nunca foi, um resumo do ambiente. Diverso, porém, com elementos que fazem parte daquele estilo de vida.
Eu e Gabriel encontramos com a Paola na entrada e já começamos a esclarecer sobre as informações do bar. Após um breve cumprimento, a Paola nos avisa que haverá um evento, o que se caracterizava em um imprevisto, visto que era planejado ir a um dia sem eventos. Porém, esse evento nos escapou durante nossa pesquisa na página do Facebook. Ao perguntar para o garçom, nenhuma informação além do preço foi nos dado, ele aparentava estar com pressa e bastante estressado com a organização, talvez porque estava sozinho. Dito isso, apesar do planejamento, que era fazer um trabalho etnográfico prévio, foi decidido que um dia sem evento era melhor, para conversar com o proprietário e funcionários, visto que, dia de evento é agitado, devido à demanda de afazeres para execução do mesmo. Ademais o evento ainda era pago, assim, nós nem havíamos previsto esse gasto.
Dessa forma, decidimos adiar o planejamento, que era de pedir autorização e entrevistar o proprietário do Cavernas, pois, ele e os funcionários estariam ocupados com a organização do evento, impossibilitando entrevistas ou qualquer interação.
Ademais, além do grupo não ter planejado as despesas, ocorreu o fato de nem todos poderem ficar até tarde, visto que, teria a apresentação de várias bandas e o evento começaria às 23h. Logo, houve um afastamento exacerbado do planejamento oficial. Destarte, apenas eu e Gabriel poderíamos ficar após às 21h, o que foi nossa escolha. Assim, realizaríamos uma análise do ambiente para encontrar a identidade do local e comparar com a nossa cultura.
Voltemos às primeiras impressões do local, ainda consta aqui muito senso comum, devido à falta de conhecimento sobre a especificidade da sociedade. Por volta das 19:30h sentamos no interior do bar, pedimos algumas cervejas, jogamos sinuca e começamos o estudo etnográfico. Até esse momento, não havia nenhum frequentador no bar, apenas nós e um único garçom, o qual parecia correr para arrumar tudo que estava ao seu alcance.
Após alguns minutos as pessoas chegam ao bar e com elas se adquire uma variedade de identidades, aparentemente o cavernas traz consigo uma pluralidade de pessoas e tradições, desta forma, cada um aproveita o local à sua maneira. Com isso, pode-se ver um prelúdio do que o Cavernas carrega socialmente, um bar inclusivo, do
qual qualquer pessoa pode participar, sem ser julgada por vestimentas. Ninguém nos reprime por estarmos vestidos com roupas fora do padrão do local, o que é percebido e detalhado logo mais.
Fonte: https://www.facebook.com/cavernascuiaba/
Assim, enquanto jogávamos sinuca observávamos o ambiente. Começo a observar os três homens que estavam em uma mesa, deu para ouvir que discutiam sobre esportes, mais especificamente sobre NFL, NBA, e futebol. Eles não carregavam os signos do Rock em suas aparências, as quais eram calças e camisetas básicas, em todos. Até aqui pessoas comuns, com conversa comum, em um bar na região central. Em outra mesa um homem foi beber sua cerveja em silêncio, este já apresentava uma característica do Rock, uma camisa preta, calça jeans e coturno. O bar tem diversidade em sua clientela, além do nicho do cenário underground do Rock e Metal, encontra-se o cidadão comum, que gosta de cerveja gelada e talvez escute Rock, pois a música não estava tocando no ambiente ainda, além do Jukebox não estar liberada no dia, pela ocorrência do evento. Após um período tanto o grupo, quanto o rapaz foram embora. Aparentemente há pessoas que vão ao bar, pois além de ser um cenário para o Metal, é um bar bem decorado e limpo.
Então chegou um grupo de mulheres, as quais se caracterizavam com roupas que possibilita visualizar uma identidade, tendo então materiais para a realização do estudo etnográficos. Uma delas tinha jaqueta de couro, com o emblema de um grupo 


Assim, enquanto jogávamos sinuca observávamos o ambiente. Começo a observar os três homens que estavam em uma mesa, deu para ouvir que discutiam sobre esportes, mais especificamente sobre NFL, NBA, e futebol. Eles não carregavam os signos do Rock em suas aparências, as quais eram calças e camisetas básicas, em todos. Até aqui pessoas comuns, com conversa comum, em um bar na região central. Em outra mesa um homem foi beber sua cerveja em silêncio, este já apresentava uma característica do Rock, uma camisa preta, calça jeans e coturno. O bar tem diversidade em sua clientela, além do nicho do cenário underground do Rock e Metal, encontra-se o cidadão comum, que gosta de cerveja gelada e talvez escute Rock, pois a música não estava tocando no ambiente ainda, além do Jukebox não estar liberada no dia, pela ocorrência do evento. Após um período tanto o grupo, quanto o rapaz foram embora. Aparentemente há pessoas que vão ao bar, pois além de ser um cenário para o Metal, é um bar bem decorado e limpo.
Então chegou um grupo de mulheres, as quais se caracterizavam com roupas que possibilita visualizar uma identidade, tendo então materiais para a realização do estudo etnográficos. Uma delas tinha jaqueta de couro, com o emblema de um grupo
de motociclistas, calça jeans e botas de salto alto pretas; outra usando jaqueta de couro, calça jeans e coturno preto; e a última com uma maquiagem que se destacava mais que a das outras, pois tinha um tom sombrio, com uma blusa preta, jaqueta marrom e calça de couro preta. Começa aqui a demonstrar as características de alguns grupos.
Destarte, o “Cavernas Rock Bar” se colocam com uma amplitude harmônica entre identidades diferentes, talvez essa seja a maior identidade do local, o respeito mútuo ao diferente. Por ser dia de evento, essa análise ainda é difícil, de modo que, todo estudo possível parece simples e raso. Com isso, criam-se limitações ao lugar, ou colocar o senso comum dentro de um estudo etnográfico, da qual os membros da sociedade, o Cavernas, podem não reconhecer para si. O grupo toma cuidado, para não criar nessas falácias e preconceitos, sem ter a real noção das identidades. Principalmente, quando digo a respeito de eventos que, segundo o Kevin, apresenta um público diferente. Antes de confirmar com o Dogão, proprietário, se isso ocorre mesmo; ou analisarmos a diferença dos frequentadores, por meio das próximas visitas.
Existem muitas pessoas indo ao local, ele não parece repelir nenhuma pessoa, tratando os frequentadores como indivíduos que devem ser respeitados. Essa é a impressão que obtive sem conversar com nenhum membro do local.
Por ser um estabelecimento comercial, espera-se a inclusão de vários públicos, mas a identidade do bar é inabalável. Por mais que se tenha várias identidades o Rock e o Metal estão sempre ali, você respira, enxerga e escuta essa identidade. Mais a frente iremos confirmas as nossas dúvidas, ou pelo menos é o esperado.
Após essas primeiras observações os outros integrantes do grupo vão embora, ficando apenas eu e Gabriel. Não pretendíamos ficar até o final do evento, mas devido às poucas informações observadas, decidimos, portanto, ir até um horário confortável para retorno, com o intuito de realizarmos um estudo etnográfico mais aprofundado.
O horário ajudou a ver como funciona o ambiente, a organização e os frequentadores, desde o início vimos vários grupos e pessoas chegando e se acomodando. Mas, ainda assim era algo complexo. Até ali com o nosso conhecimento acadêmico e com as informações que obtemos e observamos do Cavernas, poderíamos apenas confirmar que a cerveja era gelada, estava muito cedo, a decoração era imersiva.
O evento não ficou muito claro para nós, mas parecia uma homenagem à alguém. Descobrimos após uma pesquisa que era uma homenagem a uma pessoa que havia falecido, a qual era famosa no cenário do Rock cuiabano, o apelido dele era Klebinho. Aparentemente o dinheiro arrecadado iria para o custeio das despesas funerárias. Porém, encontra-se essa informação de modo muito vago nos comentários do Facebook.
Após isso, fui ao palco e pude ver, enquanto limpavam, que era um pouco diferente do bar, mas não se destoa. Eles se integram, de modo que o bar apresenta uma decoração característica do Rock, enquanto o palco tem o foco no Metal. Dentre a decoração visualiza-se correntes, um tom rústico, um local que representa as bandas que tocam ali, a exemplo da “Skarros”, além de um desenho na parede, o qual parece a distorção da realidade, a qual é feita por um ser que aparenta ser um demônio, além disso, encaixa-se na expressão artística do surrealismo. A pergunta que me veio à mente foi: “como seria esse ambiente escuro, com uma banda hardcore tocando?”. Todavia, a resposta seria encontrada logo mais com as bandas.
Às 22:00 horas as pessoas começam a chegar. A partir daqui o local ganha uma diversidade de informações. Chegou um pessoal com camisa de bandas, internacionais e nacionais, ou até das que eles próprios participam, como o vocalista do “Skarros”, que usava uma camiseta da sua banda. Ressalto que o bar apresenta bandas do cenário “underground”, tanto do cenário cuiabano, quanto nacional.
Ademais, é tamanho a variedade que fica difícil descrever todas as pessoas, mas há basicamente pessoas com jaqueta de couro, calça jeans e camisetas das bandas que irão tocar. Porém, não se tem muitas pessoas dos subgêneros considerados os extremos, Black Metal e Death Metal, visto que não haverá bandas dos mesmos. A diversidade da faixa etária e sexo também são nítidos e equilibrados. Há desde jovens de 18 anos e senhores de 60, com a média de idade tendendo aos 35 anos, baseado na observação do ambiente. Enquanto tanto os homens, quanto as mulheres aparecem em igual número, destaca-se a quantidade de casais, namorados e casados.
Irão tocar quatro bandas no evento “Meu Amigo Pedro”. Eu escutei apenas duas delas. A primeira foi a “Skarros”, banda do gênero “Hardcore/Punk”, segundo a própria página do “Facebook”, que apresenta um rock mais pesado, no local do palco havia poucas pessoas escutando. Mas, todos bem envolvidos e imersos na música. A
banda contagiava o ambiente com sua identidade, encontramos pessoas em repleta sincronia com a música, balançando as cabeças aos gritos do vocalista. Haviam aproximadamente dez pessoas escutando-os no palco, e o bar estava lotado.



A outra banda que se apresentou no evento, e última que escutei, foi a “Central 357 e Klinica”, que essa foi a junção de duas bandas. Reparei que o músico Wellignton Berê tocou junto com eles. Sensacional, as diversas expressões e como o palco mudou de acordo com a temática das bandas. Essa tocou mais “Raul Seixas”, que é um ícone do Rock brasileiro. Detalhe para uma música de autoria própria da banda, denominada “Meu amigo Pedro”, fazendo referência direta ao Raul e um amigo deles, o Klebinho. O clássico “Toca Raul” tomou conta do local, e então temos outra banda de qualidade no palco, invertendo os membros da formação individual de cada banda.
Desta maneira, já conseguíamos diferenciar a identidade e a cultura de cada banda e seus fãs, em vista disso o ambiente se plurifica cada vez mais. A identidade e cultura do ambiente ficam expostas, a composição do cenário, luz, câmera, som, pessoas, ritmos, muda de acordo com a banda que toca. O sub-gênero transforma o
local, de modo que sua identidade seja facilmente captada pelo observador. A primeira foi mais sombria, pesada e com um instrumental e vocal típico do metal. A segunda apresentou um tom mais leve, com um instrumental e vocal, que não poderia ser diferente vista a proposta, Raul Seixas.



O público da primeira banda, Skarros, era composto por pessoas balançando a cabeça, dito pelos frequentadores como bater cabeça, enquanto o vocalista exerce enorme presença de palco e interação com eles. Já a outra banda apresentava uma característica de dança diferente, na qual balança-se lentamente o corpo ou os braços para cima, além de ter mais conversas do público, entre si e com a banda.
O Bar apresentou porções também, as quais muitas pessoas apreciavam. O bar ficou com alguns casais e grupos de amigos nas mesas, os quais, conversavam, brincavam e apreciavam a música, isto posto, independentemente do que estava sendo tocado, todos pareciam animados e estar aproveitando cada detalhe que o bar oferece. O atendimento funciona como se todos ali se conhecessem a anos, o que provavelmente ocorre.
Não foi possível identificar quem eram as pessoas que foram a primeira vez no local. Parecia que apenas eu e Gabriel estávamos “deslocados”. E não era por questões
de atendimento ou relações que desenvolvemos, nem por não gostar da temática do bar, mas por ser a primeira visita ao bar. Esse grupo apresenta uma forte ligação entre os presentes, e ao contrário do que muitos poderiam ter de preconceito, no qual dizem ser pessoas mal humorados e agressivos, encontrei um local bem humorado e receptivo, o qual independente do ambiente que a banda cria com sua música, com o público sempre interagindo. Há também a ligação que o rock é satanista, mas apesar de haver algumas conversas, e a banda Skarros citar às vezes, dificilmente encontram- se citações com caráter religioso no local. A banda Skarros apresenta temáticas sociais em suas letras, por exemplo.
Vale lembrar que o evento é pago, no qual o controle da entrada é realizado por meio de pulseiras, eles fecham as portas dianteiras e fica apenas a lateral aberta. Mas, tinham pessoas nas calçadas e estacionamento, onde muitos ficam bebendo e conversando, apesar do frio, que não faz parte clima cuiabano, ficam conversando e escutando a música que ecoam para a rua. Existe um público que usufrui da rua, pois o som é mais baixo e melhor para conversar.
Fonte: https://www.facebook.com/cavernascuiaba


Ao sair vejo que haverá um grande evento no dia 23/06, mas nosso grupo não poderá ir. O evento é como o próprio Kevin disse, “Com um som mais pesado, vai ser brutal”. No entanto, começam a panfletar que no dia 11/08 haverá o “SPEED METAL UNION”, no qual serão apresentadas bandas de Speed Metal, e a presença especial da banda paulista “SELVAGERIA”. Vislumbrei que poderíamos ir ao evento, e colocar ele nesse trabalho, como agente finalizador.
Após isso, fomos embora. Para uma primeira observação, sem compromisso, foi excepcional. O local é rico em identidades e culturas, mas apresenta uma própria, uma aura especial de acolhimento, aparentemente, não se importando com sua aparência ou gosto musical.

1.4 Diário de campo do dia 12/07/2018 Entrevista elucidativa
Concluímos que a reunião com o Cachorrão, a respeito da autorização para realizar o trabalho. Além disso, o Cavernas teve dois eventos recentes, que deixaram os funcionários sobrecarregados. Então marcamos de nos encontrar em um dia com o movimento normal.
Dessa vez, eu e Gabriel, decidimos ficar fora do bar, visto que as mesas já estavam postadas na calçada, aproveitamos para ver o movimento da rua. Enquanto isso resta esperar o grupo e os frequentadores cheguem. Ao chegar os frequentadores, percebe-se a distinção com os presentes no evento. O público do evento e do cotidiano são realmente diferentes? Essa questão se torna uma variável difícil de ser colocada em questão. Pois, mesmo que em determinados locais os eventos ganhem um público atípico, pode ocorrer coincidência, era nossa segunda visita ao local.

 1.4 Diário de campo do dia 12/07/2018 Entrevista elucidativa
Concluímos que a reunião com o Cachorrão, a respeito da autorização para realizar o trabalho. Além disso, o Cavernas teve dois eventos recentes, que deixaram os funcionários sobrecarregados. Então marcamos de nos encontrar em um dia com o movimento normal.
Dessa vez, eu e Gabriel, decidimos ficar fora do bar, visto que as mesas já estavam postadas na calçada, aproveitamos para ver o movimento da rua. Enquanto isso resta esperar o grupo e os frequentadores cheguem. Ao chegar os frequentadores, percebe-se a distinção com os presentes no evento. O público do evento e do cotidiano são realmente diferentes? Essa questão se torna uma variável difícil de ser colocada em questão. Pois, mesmo que em determinados locais os eventos ganhem um público atípico, pode ocorrer coincidência, era nossa segunda visita ao local.
Fonte: https://www.facebook.com/cavernascuiaba/
Ademais, algumas pessoas estão com o uniforme do emprego ou roupa social, compondo outra identidade do local, porquanto forma-se a identidade do local aqui
também. As pessoas trabalham, estudam e têm seu cotidiano fora do bar, não seria interessante formar a identidade apenas pela vestimenta. Interessante que mesmo com essa característica fora do metal, eles integram o local, afinal eles também tem a identidade do local, ouvir o Rock e tomar cerveja.
A identidade do bar é simples? A resposta é simples é não, uma vez que o local é repleto de informações. Destarte, os frequentadores de um bar comum vão para jogar sinuca, beber cerveja gelada, escutar um estilo musical, que nesse caso é o Rock.
Torna-se nítido que a mesa de sinuca é tem um público fixo, pois eles escolhem o taco e mesa de preferência; além das rivalidades já criadas. Com isso, começa a análise do bar comum. A separação do bar cotidiano e dos eventos é perceptível com facilidade. A exemplo da primeira visita, na qual a primeira parte ocorreu uma divisão do público, na qual pelas vestimentas creditou-se a identidade a determinado grupo. O Cavernas é multifacetado, em qualquer análise não deve ser ignorado isso.
Assim que chegamos tinham um funcionário e um rapaz assistindo um filme de terror, “Evil dead” ou, em português, “A morte do demônio”, de 1981, um clássico dos filmes Trash. Kevin falou que em determinados dias ocorria à exibição de filmes, principalmente de terror. Além disso, jogos de futebol reunia um público na quarta- feira. O filme tem um contexto “gore”, com algumas cenas em “Stop-motion” de cérebros e tripas. Desse modo, conforme os frequentadores entram, eles veem e comentam o que ocorre na televisão.
Kevin falou com o Cachorrão sobre a entrevista, marcando de nos reunirmos assim que ele resolvesse algumas questões da administração do bar. Devido ao nervosismo, e por ser um primeiro trabalho de campo, encontramos dificuldades na abordagem. O proprietário estava atarefado e se esqueceu de nós. Após algumas tentativas de Leonardo, conseguimos dialogar com Dogão e sentamos nas mesas, situadas na calçada do bar, pois facilitaria o diálogo.
Antes de explicar mais sobre a entrevista, venho detalhar um caso engraçado que ocorreu com nosso colega Leonardo. Esperamos um tempo, depois do Kevin ter falado como Cachorrão, e então Leonardo decidiu ir falar pessoalmente com o proprietário, para o lembrar da nossa entrevista. Ao chegar no balcão o garçom e o proprietário estavam conversando com uma amiga, fato que não intimidou Leonardo,
que sentou no balcão e ficou 30 minutos esperando a conversa terminar, com um semblante que não estava bisbilhotando nem esperando nada. Apenas admirando a vista. Depois de longas risadas do fato, e muito constrangimento, ele conseguiu falar com o dono do bar, para então, irmos para fora, devido ao barulho, como intuito de realizarmos a entrevista. A intimidação de falar com um desconhecido, nos acarretou diversos problemas até aqui, outrossim, aconteceu fatos semelhantes, que nos intimidaram antes mesmo de abordarmos os frequentadores.
Dito isto, cogitamos gravar vídeo e áudio da entrevista, para obter um registro digital, o qual poderia ser postado no Blog. Com isso, o trabalho seria acessado mais facilmente pela sociedade. Além disso, teríamos um maior aproveitamento do trabalho.
No entanto, Cachorrão não queria sua imagem exposta, devido alguns problemas que ele teve com a mídia e sociedade acadêmica, os quais usaram indevidamente e sem permissão os seus dizeres, consequentemente prejudicou-se o estabelecimento, por causa da falta de contexto dado aos seus dizeres. Portanto, as gravações não foram autorizadas nessa primeira entrevista, além de concordarmos em mostrar o material, ao proprietário, antes da postagem pública.
Dessa forma, fomos mais cautelosos, com a finalidade de, primeiramente, ganhar a confiança. Foi acordado então que teremos cuidado para não afetar o bar negativamente por falta de coerência ou mau uso dos depoimentos, pois o ambiente já é considerado marginalizado. O próprio Dogão reclamou desse estereótipo, “eles inventam, que é um bar de gangue de motoqueiros”.
Ao iniciar o diálogo ele nos confirmou a identidade multifacetada do Cavernas. O Cachorrão nos explica que o Cavernas é um comércio normal, diante disso ele atende a todos sem discriminação identitária, com o intuito de não limitar o ambiente a determinado nicho.
Ademais, houve eventos de outros gêneros musicais, por exemplo, o Reggae e o Rap. Dogão nos confirma, que o local é uma reprodução da sua forma de pensar, de modo que se deve aceitar todos ali, independentemente da identidade e cultura do bar. Assim, todos podem frequentar, para escutar músicas dos gêneros Rock n‟ Roll e Metal, os mais tocados no Cavernas.
Além disso, o respeito faz parte da identidade do Cavernas, Cachorrão começa a nos contar como ele lida com homens, que assediam as mulheres em seu estabelecimento, “Eu mesmo interfiro se preciso, pedindo um pouco mais de respeito”. É interessante, pois o ambiente realmente apresenta uma relação harmoniosa com os relacionamentos humanos, nessa conformidade, não se percebe homens forçando um contato com mulheres, ou vice-versa. Apesar de se denominar Cavernas, os frequentadores já abandonaram os ritos sexuais masculinos tradicionais das festas.
Outrossim, a organização social demonstra a possibilidade de um local desenvolvido para o nicho, do Metal no caso, que seja inclusivo e pluricultural. Dogão brincou que o ambiente tem dois diferenciais: “A música boa e cerveja gelada”, mas creio que o respeito é o maior diferencial daquele local, no qual mulheres e homens são tratados igualitariamente, até porque a qualidade da música e temperatura da cerveja é degustada subjetivamente pelos frequentadores.
Como o bar é focado em um cenário diferente, Dogão nos explica o cenário underground do metal, assim como a complexidade da realização de eventos. A dificuldades que vão além de um comércio do centro cuiabano, pois existe a necessidade de manter a identidade, além do custeio e mantimento financeiro do bar.
Destarte, quando o Cavernas toca outros gêneros alguns dos frequentadores habituais permanece no evento, pois a predileção do público não se mantém apenas no Metal. No entanto, segundo ele, o ambiente ganha uma nova identidade, a qual volta ao Metal assim que acaba o evento “intruso”. O ambiente tem a identidade do Metal em sua criação e administração.
A identidade do Cavernas, o Metal, só acaba quando eu morrer” - Cachorrão, proprietário do Cavernas.
Nos tempos primórdios do cavernas houve um acordo entre o Rock autoral e o bar. De modo que um precisava de um local para as apresentações das bandas, com isso renovou-se o público do bar, consequentemente o crescimento de ambos ocorreu de forma conjunta. Esse mutualismo não quebrou a identidade do local, pois havia um imoderado número de apresentações seguidas, devido ao número de performances seguidas, visto que haviam poucas bandas e o bar, como qualquer comércio, precisava arrecadar para ser financeiramente rentável.
Terminamos a conversa com o Dogão estipulando a data para entrevistas e outras observações que poderíamos realizar. Neste planejamento iremos conversar com bandas, funcionários e frequentadores.
Concluímos que a identidade do Cavernas se apresenta além do estereótipo do Metal. Precisa-se uma investigação mais detalhada, de modo que possamos fazer uma análise correta do local.
Encerramos a conversa e fomos desfrutar um pouco mais do bar. Agora como frequentadores, sem observar criteriosamente, mas as observações vão se confirmando, conforme passamos mais tempo dentro do Cavernas. Esse local não é o que o senso comum o rotula e estereotipa. Mas, o senso comum dificilmente faz um julgamento justo do desconhecido.
Ao reexaminar a arquitetura do Cavernas, percebi decorações que me passaram despercebidas. Existe uma estátua da morte no canto do bar, a qual lembra as capas dos álbuns do Metal.
Neste dia verificou-se uma diferença no estilo das vestimentas do público presente, não havia ninguém caracterizado com a identidade, exceto Kevin e seu amigo Alberto, e os próprios funcionários. Assim, a fala do Cachorrão, “É um bar comum durante semana, a identidade do Metal aparece nos eventos, porque uma galera mais hardcore aparece e muda o tom do local”, ganha sentido.
A respeito das vestimentas, o proprietário cita um casos de pessoas perguntando se podem entrar no bar com roupa social, ele sempre diz, “O problema pensar-se que é obrigado a se „fantasiar‟, pois é óbvio que pode frequentar o bar com roupa social. Até porque as pessoas vêm do trabalho, dificultando a troca das roupas”. Ele complementa dizendo que quem se caracteriza com a cultura do Metal, é porque vive aquilo, “cada um se veste como quer”. Isto demonstra que as pessoas, que se vestem com a identidade do Metal, também trabalham e estudam, com isso devem seguir outras normas que a sociedade formal os estabelece.
Por fim, ficou combinado de irmos ao “Speed Metal Union”, evento que finalizará o trabalho. E iremos discutindo a respeito de entrevistas e materiais que serão entregues na pesquisa. Iremos encontrar o Dogão e bandas mais à frente, de acordo com a disponibilidade dos mesmos.
Por fim, fomos embora, após outra análise do local, porém descobrimos que o bar vai além de um nicho do Metal. Um bar com variedades de identidades e cultura, mas que existe a predominante, a essência do bar, que segundo o proprietário, “Só acaba quando eu morrer”.
1.5 Diário de campo do dia 11/08/2018 Speed Metal Union
Após esse período, que o Dog estava viajando, não conseguimos contato. Como ele tinha esclarecido que não havia interesse de expor sua imagem ou a do seu público, mas que poderíamos utilizar o Cavernas como objeto estudo. A nossa base de estudos com as perguntas e entrevistas, foram cortadas do nosso planejamento, visto que poderíamos arrumar problemas com a autorização do Dog.
Dito isto, ao chegar no local, tivemos caráter observatório completo. Desse modo o contato com o público foi sem intervir. Percebe-se também que durante o evento e show, ninguém estaria interessado em dar entrevistas ou conversar com alguém fora de seus grupos de amigos. O que é bem compreensivo, dado que todos estavam ali para se divertir e o evento teria a banda pauslista Selvageria.
Agora sobre o evento podemos tirar várias conclusões apenas com as análises de observador. O ambiente, assim como a breve entrevista que o Dog nos deu, foi esclarecedor sobre o local. Como era um dia especial a identidade do Metal aparece com maior facilidade. As vestimentas dos frequentadores eram quase sempre características do Metal, porém havia algumas pessoas com roupas sociais, camisa polo ou camiseta comum. Detalhe que mesmo os não caracterizados interagem entre si, o que mostra a tolerância e variedade do local.
Assim, como já havíamos percebido isso anteriormente, não houve surpresas, com o “Speed Metal Union” tiramos mais conclusões do que apareceram dúvidas. Como fomos ao local mais de uma vez, foi possível levantar várias questões. Esse dia, em específico, ficou como base de comparação e comprovação das hipóteses prévias.
Ademais, quando chegamos e começamos a observar o ambiente, de ínicio estava apenas a calçada liberada, pois estavam organizando o bar, percebo que as perguntas que selecionamos inicialmente seriam inúteis. Com uma simples observação podemos responder facilmente cada uma delas.
Tocaram três bandas no dia: a Selvageria, Total Desastre e Burning Inhate. O gênero que o evento propunha era o Speed Metal, mas as bandas tocavam outros subgêneros do Metal.
A primeira que tocou foi a Burning Inhate, banda cuiabana de Thrash Metal. Sua música apresenta em suas letras temas como guerra, caos e violência. Abriu o show e mostrou a identidade do Metal. Ao começar a tocar contagiou o local com seu som. O vocalista também interage bastante com o público, principalmente os que estão mais próximos do palco e já o conhecem, por ser um banda que já se apresentou outras vezes no Cavernas.
https://www.metal-archives.com/bands/Burning_in_Hate/3540407025
Após isso, a banda Total Desastre, da qual o Dog é baterista, se apresentou. Ela é toca músicas dos gêneros Thrash Metal e Death Metal. O guitarrista é indígena e a vocalista é mulher. Com isso, é possível ver que o Cavernas é inclusivo, de modo que não exclui nenhuma pessoa por preconceitos. Existem várias pessoas dentro da atmosfera do Cavernas. Houve pedidos para que a Total Desastre cantasse mais músicas, mas não era possível pelo tempo e planejamento.
Fonte: https://www.metal-archives.com/bands/Total_Desastre/3540327399
Por último houve a apresentação da banda paulista Selvageria. Os gêneros tocados por ela eram Speed Metal e Thrash Metal, e suas letras envolvem temas como: Sangue, morte, guerra. E houve um apelo do público para que eles cantassem mais músicas, dessa vez atendido, visto que eram a última a se apresentar.
Fonte: https://www.metal-archives.com/bands/Selvageria/50174
Houve várias representações de identidade e cultura durante o evento, a partir daqui começarei a listar as que observei. O Speed Metal Union era específico e contou com uma banda de fora, estado de São Paulo. Isso é importante em vista do cenário underground, o qual move o Cavernas e seus eventos.
Fonte: https://www.metal-archives.com/bands/Selvageria/50174
O cenário underground apresenta bandas que não são populares entre o cidadão médio. Muitas vezes, mesmo entre os que escutam Metal, desconhecem as bandas undergrounds.
Todo ritual de identidade e cultura do Cavernas é optativo, de modo que os participantes decidem se irão ou não participar. Destarte, fica claro que a liberdade para qualquer frequentador participar dos rituais do local, por exemplo, nas diversas “Rodas Punk” que ocorreram no evento, é só se dirigir a elas.
Assim, a roda punk é algo bem comum entre os jovens que frequentam o Cavernas, eles começam e ao abrir o espaço, vai aparecendo mais pessoas para participar.
Fonte: https://www.spirit-of-metal.com/pt/band/Total_Desastre
Ademais, temos os movimentos corporais, danças, que são executados pelo público. Entre eles foi possível ver pessoas paradas, balançando a cabeça em várias intensidades, pulando, mexendo-se de modo livre e sem um ritmo definido. Ninguém é obrigado a participar de nada e os movimentos são feitos de modo isolado, pois os casais usam suas individualidades de modo singular.
Outrossim, as interações sociais do bar são respeitosas. Há muitos casais, no entanto, pessoas solteiras ou sem um par acompanhando são maioria. Desse modo, não há como objetivo final arranjar um relacionamento na noite. As pessoas estão ali para escutar a música e beber cerveja, esta que é o maior consumo do bar.
Além disso, o palco fica cheio durante o show e o bar com poucas pessoas, durante a troca de bandas, ocorre a inversão, de modo que o bar volta a ficar cheio. Assim, as pessoas aproveitam para comprar fichas de consumo e se relacionarem sobre a experiência que estão tendo. O local, diferente do que o senso comum pensa é
animado e alegre. Dessa maneira, a parte do Rock e Metal, que envolvem raiva e violência, vai para o palco, e durante os shows, são organizadas e controladas.
Enquanto o show acontece, homens e mulheres se comportam de maneira parecida. Não há nenhuma forma de desrespeito. Concluísse que, o local é saudável para pessoas que querem curtir o rock, sem preconceitos ou preocupações.
O Cavernas é um representante da cultura do Metal, e sua identidade traz uma facilidade para um contato com o público fora dessa cultura. Os eventos, por sua vez, mostram uma identidade mais forte, apesar de não excluir ou segregar, tem-se um local típico do cenário underground do Metal.
Com toda a informação que obtemos será possível fazer um relatório com uma análise mais aprofundada e com diferentes visões da identidade e cultura do local. Creio que devido ao número elevado de pessoas no local, ir várias vezes se tornou essencial para um trabalho de qualidade, além da possibilidade de criar maiores teorias sobre a identidade e cultura do Metal.
1.6 Diário de campo do dia 21/09/2018 A primeira visita de Heloisa Ariano.
O dia estava quente, nós tivemos um dia cansativo e estávamos indo para o Cavernas Rock bar, ao chegar encontramos o local já cheio, devido ao horário, 22h, que proporcionava o público já ter chegado. A rua estava com as duas calçadas com pessoas, porém, não se assemelha ao evento do “Speed Metal Union”. A professora Heloisa Arianochegou antes da gente e já começava a observar o local, que segundo ela, “é um local bem interessante e com muitas coisas a se observar”.
Antes de descrever essa breve visita ao Cavernas preciso explicar o que antecedeu o encontro no bar. Sendo assim, combinamos de sair da UFMT, Universidade Federal de Mato Grosso, para nos encontrarmos no Cavernas. Conversamos antes de sair, pois, havia algumas condições diferentes durante essa visita ao bar. Primeiro a professora Heloisa Ariano no acompanharia pela primeira vez, fazendo ela mesmo algumas análises ao local, conseguintemente iriamos ver como seria a interação dela com o local. E por último, mas não menos importante, muitos de nós estávamos cansados pela carga horária mais robusta durante o final de semestre, por isso, não saberíamos até quando ficaríamos ou até quando seria a observação.
Sobre o evento de hoje, o qual era gratuito, tínhamos algumas ressalvas, pois dedicamos nosso trabalho a entender o local como um todo, mas com um foco especial no cenário underground cuiabano, que apresenta uma grande relevância nacional. Com isso dito, fomos a um evento de Rock e Blues, ou rock autoral. É um gênero que, apesar de ser frequente nas apresentações do local, não faz parte da identidade do local ou um evento que atrai o público que buscamos estudar nesse trabalho. A professora, portanto, iria encontrar outro grupo de frequentadores. Com isso, declaro que o estudo que iremos fazer é algo diferente, funcionando como uma introdução e apresentação do local a professora que nos orienta.
A Heloisa começou a observação enquanto jogávamos sinuca, devido ás visitas anteriores não tivemos o que observar na decoração, visto que, era uma sexta feita com
evento e boa parte do público ia apenas pelo dia da semana, não necessariamente pela banda que estava apresentando.
Percebemos que a Heloisa estava fora do ambiente, o que gerava certo incomodo em alguns frequentadores, um deles chegou a encarar ela, até que ela cumprimentou e ele retribuiu. Observamos várias atitudes, há uma grande diferença do público do metal underground e das outras vertentes que tocam no Cavernas, as quais não representam o grande público do Cavernas. Apesar de tudo isso, o evento teve um bom público, muito por ser gratuito e o dobro por ser sexta-feira, como já disse anteriormente.
Fonte: https://www.facebook.com/cavernascuiaba/
O tempo foi passando fomos ver a banda aquecendo, pegamos apenas o final do aquecimento, por isso, tivemos um bom tempo com o local do palco vazio. Com isso, pudemos olhar bem o ambiente, a professora ficou impressionada, com a televisão que fica perto do palco, com a pintura de um demônio distorcendo a realidade e a vida, com as luzes. Como eu disse, cada banda cria um clima no local, por isso, levamos muito em conta como a identidade é representada dentro do Cavernas, pois as diversas identidades que frequentam ali formam aquele grupo.
O estilo de vida que pudemos observar anteriormente, especificamente o do metal, estava presente no bar, porém, não estavam tão animados. Talvez isso se dê ao fato de não gostarem muito do gênero que estava tocando.
Fomos para fora do bar e conversamos sobre quais foram as impressões da professora e as nossas experiências até aquele momento. O Kevin, que é um frequentador, nos esclarece sobre vários temos, dentre eles, como funciona a política dentro do bar; como se apresentam as bandas; o funcionamento dos arredores do bar. Entre essas questões nada que fosse fora do comum, ou já não nos fosse óbvio, porém o que mais nos chamou atenção foi a questão: como era o bar antigamente e o que mudou nele. As alterações do convívio no estacionamento, da utilização das bebidas, de como as bandas criaram uma clientela para o bar, ao mesmo tempo em que trouxeram para si um público fiel dentro do cenário underground.
O bar parece em constante transformação e renovação, não ignorando as origens, mas busca manter o estabelecimento aberto e com um bom ambiente, sempre trazendo o conforto e a sensação de que o local lhe agrada e foi feito para você. É nítido que quando dizemos de uma representação cultural, um cenário underground, como o metal temos um público difícil de encontrar, visto que, o Brasil é um país de vários ritmos, mas esse em específico não faz parte da cultura popular. Em Mato Grosso temos a predominância do sertanejo.
O show ia começar, decidimos então entrar no quarto, para que pudéssemos ver o show e as interações sociais. Um fato que nos chamou bem a atenção é como a Heloisa consegue lidar muito bem com o desconforto de fazer contato com as pessoas no bar, mesmo que seja um público diferente e muito mais simpático ao diferente. Dito isto, nós estávamos conversando e quando nos viramos e a Heloisa estava conversando com um grupo de mulheres, com direito a bebidas sendo oferecido a ela. Podemos perceber que uma experiência de campo ajuda muito nesse contato humano nos trabalhos de campo.
Um pessoal foi chegando e então algo me chamou a atenção, as vestimentas. Os frequentadores desse dia estavam mais parecidos com o que a sociedade normal considera normal. Não víamos muito couro, correntes, espinhos, coturnos ou maquiagens mais escuras. Consegui ver apenas dois casais que se enquadravam no estilo de vida do metal, esses que estavam curtindo a música e até dançavam. Ressalto que as danças e os rituais de contato são diferentes nesse evento. A dança se assemelha mais a uma balada eletrônica, com danças individuais ou em duplas. Além disso, pude reparar mais pessoas, homens e mulheres, se interagindo em contato em busca de um relacionamento.
Assim, concluo que as pessoas do estilo de vida do metal buscam mais curtir a música, durante o show, do que os frequentadores que foram nesse dia. As bandas do Metal que tocaram nos eventos anteriores traziam a atenção do público, com corpo, mente e espírito. Há também uma representação do estilo de vida do Metal naqueles que o seguem, o que o torna muito mais interessante, além do ambiente ficar bem mais animado e vívido.
Ficamos cansados, escutamos a banda durante um tempo, até que decidimos todos irmos embora. Por isso, concluo aqui essa análise breve sobre essa visita. A experiência, no entanto, foi muito proveitosa. Posso dizer, portanto, que conseguimos sempre analisar algo a mais a cada visita no Cavernas, este fato se dá devido ao bar ser rico em informações e com um estilo de vida bem interessante. Segundo a Heloisa, “não imaginava encontrar um estilo de vida baseado no Metal aqui em Cuiabá, ainda mais com um local específico para isso”.
1.7 Conclusão
O trabalho ainda mal começou, este diário ficará incompleto com o passar do tempo, pois, nosso projeto está na fase inicial. Iremos ainda aprofundar nas leituras, com a intenção de aprimorar o futuro relatório. Afinal, esse trabalho foi feito com observações baseadas em senso comum.
A respeito do local e do projeto, ficamos impressionados com quais rumos a pesquisa poderia tomar, dadas as perspectivas inicias, nas quais nos surpreenderam. O objetivo inicial eram três visitas, porém vimos que seriam poucas, além de prejudicar o potencial antropológico que o local havia. Por isso, pode se perceber algumas contradições, das quais escolhi deixar no trabalho, de planejamento e teóricas por todo o trabalho. A permanência desses equívocos, no diário de campo, busca muito mais que apenas relatar o processo, mas também mostrar a evolução do pensamento do grupo, além da evolução individual de cada componente do mesmo.
A professora Heloisa Ariano nos coordenou e, por meio disso, ajudou-nos muito a entender e formular os caminhos que o relatório irá tomar, dos quais não está decidido ainda, por isso cito com esse tom de segredo. Além disso, o formato de crônica, além dos textos que nortearam nosso conhecimento sobre como fazer um trabalho antropológico foi essencial.
O Cavernas Rock Bar é riquíssimo em informações, com isso, as gamas de temas a ser explorado dentro dele, sejam eles sociológicos, antropológicos ou filosóficos, são diversos e extensos, visto que, em Cuiabá predomina o sertanejo nos bares e boates.
O bar, portanto, carrega um estilo de vida interessante, do qual iremos explorar algumas questões ainda. Usaremos essas observações iniciais para construir um relatório próximo, que constará entrevistas, algumas observações extras e participação de mais eventos, por meio de uma visão diferente, visto que iremos dedicar a mais leituras do a respeito dessa área de pesquisa. Por fim, digo que tudo que foi dito nessa conclusão, pode ser alterado, como todo o planejamento do trabalho foi, mas uma coisa que não será alterada é a importância e relevância do cenário underground do metal no Cavernas Rock Bar, do qual apresenta uma vasta representatividade.
1.8 Anexos
Anexo 1 - Tabela de perguntas entregues para preenchimento dos frequentadores. (Cancelado após conversar com dono)
Sexo: Masculino ( ) Feminino ( )
Raça:
_______________________
Idade:____
Profissão:
_______________________
Você se reconhece em alguma “Tribo Urbana”?
( ) SIM ( ) NÃO
Em caso de “SIM” diga qual:
________________________
Quantas vezes por mês, em média, você frequenta o “Cavernas Rock
( ) 0 á 2 ( ) 3 á 4 ( ) Mais de 4
Qual sua avaliação do local? (De 0 á 10)
____
Você escuta outros gêneros musicais?
( ) Sim ( ) Não
Se sim, Qual(is) escuta ?

  • (  ) Sertanejo
  • (  ) Funk
  • (  ) MPB
  • (  ) Axé
  • (  ) Eletrônica
  • (  ) Indie
  • (  ) Jazz
    Você participa de uma banda?
( ) Sim ( ) Não
Bar”?
Anexo 2 - Roteiro de perguntas. (Cancelado após conversar com dono)
Quais as vertentes do metal de sua preferência? Como e quando conheceu o “Cavernas Bar”? Por quais motivos frequenta o “Cavernas Bar”? O que lhe incomoda no local?
O que você procura no local?
Qual sua
opinião a respeito das pessoas/grupos, que frequentam o “Cavernas Bar”?
Qual a razão de ter escolhido o Cavernas hoje? Ele é seu local predileto para lazer noturno?
O bar é uma forma de você encontrar um grupo que tenha a mesma identidade com você?
Você ac
ha que a sociedade não sabe lidar com as “Tribos Urbanas”?
Quais os estereótipos que te incomodam?
Em sua opinião o que é ser “rockeiro” ou “metaleiro”?
Como é seu comportamento fora do “Cavernas Bar”?
Você se sente mais identificado com o “Cavernas Bar”,
ou com a sociedade fora do “Cavernas Bar”?
Você se sente discriminado pelo estilo de música que ouve ou as roupas que utiliza, dentro dessa segregação?
1.9 Referências Bibliográficas
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MAGNANI, Jose Guilherme Cantor. A Rua Quinze, de praça a praça: um exercício antropológico. NAU-Núcleo de Antropologia Urbana da USP. Disponível em http://www.nau.org/magnaniruaquinze.html. A antropologia urbana e os desafios da metrópole. Tempo Social, São Paulo, v. 15, n. 1, 2003
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BOMENY, Helena; FREIRE-MEDEIROS, Bianca. Tempos modernos, tempos de sociologia. São Paulo: Editora do Brasil, 2010.