Diário de Campo
Neide Borges de Medeiros
15/06/2018
- A igreja estava cheia, jovens ,
crianças e adultos, faziam parte do
publico, alguns, via-se, que se tratava
de famílias inteiras, outros casais, outros ainda grupos de adolescentes. No altar
os ministros de eucaristia se movimentavam de um lado para outro, organizando a
procissão de entrada, da missa que marcava o inicio dos festejos do Santo
Padroeiro “ Santo Antônio”. O Padre já
estava presente, usando uma batina branca e dourada, usada em ocasiões
especiais. A celebração foi linda, com a imagem do Santo homenageado em
destaque, demorou pouco mais que uma hora e meia, e no final o publico presente
foi convidado a permanecer e participar dos festejos, que contaria com um
delicioso jantar, barracas de pescaria, de doces, de salgados, brechó , “binguinho”
e bebidas e, enfim outros avisos foram
dados. Havia uma certa onda de alegria
no ar, a população demonstrava uma euforia e uma expectativa pelo primeiro dia
de festa.
Do
lado esquerdo de quem chega na igreja, foram montadas as barracas. O caixa onde
era vendidos as fichas pra se adquirir qualquer coisas que fosse consumir na
festa, ficava num quarto bem de frente nesta lateral paralelo com a igreja, que
após a missa ficou fechada. Havia quentão ( bebida alcoólica a base de gengibre
e cachaça), cervejas (itaipava e bhama) e refrigerantes ( peps, sukita e
guarana) com exceção do quentão as outras bebidas era em latas de 350ml. Na barraca do brechó ,que era a primeira
quando se saia do caixa, encontrava se roupas de vários estilos, para crianças,
jovens e adultos e uma grande quantidade para senhoras da melhor idade. Pena
que nem sempre se encontrava o numero desejado, pois eram peças únicas, algumas
senhoras que saíram da missa pararam ali e ficaram olhando algumas peças de
roupas ( não observei se levaram). A outra barraca era de pastel ( queijo /
frango/ carne), outra de pescaria ( com brindes como bonecas, bola de sabão,
vareta, bola dente de leite, entre
outros de pequeno valor), na sequência a de doces , bolos e pudim de leite
condensado, que não resiste e comprei um pedaço, também tinha cocada e amendoim
torrado. Na frente da igreja foi armada a barraca do binguinho ( com cartela a
dois reais), particularmente a minha preferida depois da de doces é claro.
Nesse momento ainda não tinha pessoas suficientes pra começar a rodada do
binguinho ( passava das 22hs e fazia frio), que funciona da seguinte maneira, os interessados compram as cartelas
ali mesmo na barraca, do montante de cartelas vendidas é retirado mais ou menos
de 40% a 50% de premio e o restante fica pra igreja. Mais nessa primeira noite
não teve publico o bastante para se
formar as rodadas.
No
outro lado à direita de quem chega, era um grande pátio, onde foi montada as
mesas e cadeira e ao fundo era servido o jantar e as bebidas (apenas com
apresentação da ficha). Tinha também um tipo de palco no mesmo nível (piso) dos
convidados, com microfone e uma mesa de
son, as caixas de sons foram colocadas uma de cada lado do corredor, Atrás do
“palco” ficava os banheiros (masculino e Feminino). De tempo em tempo era
anunciado os atrativos da festa. Neste local estava aglomerado basicamente todo
o publico da festa, alguns jantando, outros apenas sentados conversando, outros
andando de um lado para outro do salão. Percebia-se que alguns grupos sentavam
juntos, como o grupo de jovens, a legião de Maria e as ministras, as
catequistas, bem como os festeiros e os novenários, estes juntamente com o
coordenador buscavam ajeitar tudo no decorrer dos festejos. A noite estava de
clima frio, agradável. Mais para algumas pessoas um pouco fria demais, que após
o jantar ia embora. Antes das 24hs já estava bem vazio os corredores e pátio da
igreja. Notava-se que apesar do pouco comparecimento da comunidade nesta noite,
os organizadores já esperavam por isso, e se sentiam (olhando suas fisionomias)
com o dever comprido , já se preparando pro dia seguinte. O céu prometia mais
frio para os próximos dias, mais isso não era problema, pois “Santo Antônio
haveria de dar um jeito, pois a festa era pra Ele”, balbuciou um senhora
devota, comentado em voz alta com a vizinha de mesa. Deixei o local por volta
das 24:30hs.
16/06/2018
– cheguei por volta das 21:30hs, já havia muita gente nos arredores da igreja,
era o segundo dia de festa, como previsto estava frio, bem mais que na noite
anterior. Minha amiga já estava a minha espera como combinado. Entramos no
pátio onde ficava as mesas e o son, sentamos e nos pusemos a observar a nossa
volta. Aquele era de fato o local onde
se concentrava a festa, apesar de termos
que dar a volta do outro lado para comprar as fichas de consumo. Ação essa que
favorecia as barracas que ficavam próximas do caixa. Diferente da primeira
noite, a roda do binguinho estava formada com muitos jogares (com sorteios que
variavam de rodada pra rodada entre 80 a 150 reais). Os jovens se preparavam
pra dançar a quadrilha, enquanto aguardávamos decidimos experimentar o jantar,
cujo cardápio era bobó de frango, acompanhado de batata palha e salada, que
estava delicioso. Podemos notar que as mesas e cadeiras disponíveis não foram
suficientes para acomodar o publico presente. Tinha pessoas de todas as idades,
bem trajadas , outras nem tantos, com varias coisas nas mãos, dando a entender
que provaram e adquiriram de tudo um pouco da festa enquanto outras apenas
observavam o movimento alheias às varias atrações daquele espaço festivo.
Minutos
antes da quadrilha, o coordenador, um rapaz jovem, entre 25 e 30 anos de idade,
tomou a palavra e com um tom católico carismático, deu inicio aos
agradecimentos, aos festeiros, novenários, comunidade em geral e ao “Santo”
homenageado da noite, este ultimo pela graça recebida (casa-se no inicio deste
ano- graças a Santo Antônio, segundo ele). E sem delonga puxou em alto e bom
tom, um pai nosso (oração) seguido de três ave Maria (oração), no qual foi
prontamente seguido pela platéia presente. Dois grupos de quadrilha se
apresentaram naquela noite fria, que para os dançarinos não fazia nenhuma
diferença, pois estava, de roupas rasgadas,
curtas e alguns ate sem a camisa, dançaram lindamente, com uma alegria
contagiante no rosto, que dava gosto de olhar.
Nesta
noite estava previsto o grande baile, assim que terminasse o jantar, e
aguardavam o leiloeiro para começar os leilão, com alguns prendas trazidas
pelos novenários ( frango assado, bolos e vinhos). As mesmas barracas do dia anterior, também
faziam parte do cenário, provamos do pudim e do bolo de chocolate, tudo estava
apetitosa, convidativo aos olhos e ao paladar. Tiramos algumas fotos (poucas,
pois não estávamos acreditando que teríamos, de fato, que realizar este
trabalho. A UFMT, estava em greve a quase 60 dias neste ocasião) deixamos o
local da festa por volta das 24:45hs, e ate aquele momento não aconteceu nem o
leilão nem o baile).
17/06/2018
– domingo, o almoço foi servido por volta das 13hs, custou 10 reais, cardápio
galinha com arroz e feijão empamonado ( feijão engrossado com farinha e pedaços
de bacon e lingüiça calabresa). O almoço foi servido no pátio da lateral direita
da igreja, algumas pessoas compraram marmitas e outras almoçaram no local.
Desde o inicio era anunciado o grande bingo com premio principal de cinco mil
reais ( em dinheiro), cartela a dez reais cada, o sorteio era eletrônico, não
exigindo a presença para retirar o premio na hora, sendo que o ganhador seria
avisado caso não estivesse presente. Os
prêmios estavam distribuídos da seguinte forma: 5º
premio – micro-ondas; 4º premio – Tv 32’; 3º premio – Fogão de 4 bocas; 2º
premio – carteira de habilitação AB e 1º premio R$ 5.000,00 (em dinheiro); esta
foi também a ordem de sorteio.
Era possível perceber que as mesmas pessoas, do
primeiro e segundo dia, tanto da organização, como da comunidade e ou dos
grupos membros da igreja eram as que faziam parte deste terceiro dia, onde o
evento era diurno, iniciava com o almoço e encerrava em uma missa, o numero de
participantes era bem maior que o da segunda noite, notava-se que alguma
pessoas não faziam parte daquela comunidade, apenas vieram por conta do premio
atrativo de cinco mil reais. Todos estavam muito a vontade, com roupas leves,
esportivas, apesar do clima ameno.
As barracas já não estavam tão atraentes, sem os
bolos e doces, a pescaria ou os pasteis e assim o binguinho igualmente não
fazia mais parte do cenário, agora era só armações de madeira e palha de
coqueiro, apenas o caixa e as bebidas (exceto o quentão) permanecia em pleno
funcionamento. Não fosse pelo local, uma igreja católica e pela insistência do
coordenador lembrando a todo momento do “Santo” padroeiro, o clima era de muita
alegria e expectativa pelo premio principal do grande bingo. Ainda apos o bingo
houve sorteio de vários brindes, segundo os organizadores doados por
comerciantes locais e por membros mais antigo da igreja. Soube que na noite
anterior não foi possível realizar o leilão, pois o leiloeiro não compareceu, e
as poucas prendas recebidas foram vendidas aos que se interessaram sem grande
divulgação e o baile teve entrada franca
(nos anos anteriores era cobrado dez reais de entrada). O grande bingo iniciou
por volta das três e trinta da tarde e foi ate 18:30hs, a população presente
foi convidada a participar da missa de encerramento, mas a grande maioria não
permaneceu. Talvez pelo fato da grande maioria não estarem trajadas adequadamente
para adentrar a igreja e por não dar mais tempo de irem em casa e retornar pois
a missa estava prevista pra iniciar as 19:15hs. Ou ainda por não fazerem parte
da comunidade, ou talvez estavam chateados por não terem ganhado nenhum brinde. Mais um grupo de membros da
igreja, da comunidade e dos grupos de jovens chegaram para fazer parte do
próximo evento que iria acontecer “a missa”, devidamente vestidos para tal. No meu caso, só ganhei experiência para o próximo
ano. Deixei o local as 19hs e não participe da missa.
24/08/2018 – as aulas retornaram, o trabalho sobre as
festas precisam ser concluído. Meu grupo que era três membros, ganha mais dois,
somos cinco agora e decidimos nos reunir no dia oito do mês seguinte pra
realizarmos algumas entrevistas para embasar nosso trabalho, e assim foi feito.
Fiz os contatos prévios e graças a “Santo Antônio” todos aceitaram colaborar
com nosso trabalho de campo. Falei com cinco pessoas, um jovens de 15 anos
membro do grupo de jovens da igreja, uma mulher festeira de 38 anos que este
ano participou ativamente dos eventos principalmente dos religiosos; um homem
de 71 ano, que se declaro um dos fundadores da festa de “Santo Antônio”; uma
mulher de 66 anos – organizadora/fundadora da trezena e um senhor de 70 anos que
se declara festeiro novenário a mais de 30 anos.
08/09/208 – entrevistas – nos reunimos as 14hs na
praça em frente a igreja e entrevistamos duas pessoas: a primeira um jovem de
15 anos, Felipe, falante, contente por ter feito parte pela primeira vez da organização
e promoção da Festa de Santo Antônio do Pedregal. Era uma tarde quente, de sol
forte, ventava um pouco mais o calor era insuportável. O Felipe demonstrava um
pouco de vergonha, mais com o entrosamento do grupo foi se soltando e disse que
para ele é muito importante fazer parte ativa nessa festa de fé, fala também
que foi o primeiro ano que participou da Romária da trezena – treze encontros
religiosos que antecedem a festa de Santo Antônio. E na oportunidade, relembram
a historia do santo na terra, nascimento, vida e morte, lembram seus milagres
realizados e a vida de luta e provações que venceu ao longo de seus dias nessa
jornada terrena. Felipe conta também que faz parte de um grupo de jovens que se
reuni na igreja todos os primeiros e terceiros domingos do mês sempre as
17:30hs – com nome de “Sentinela do Amanha” e que conta com mais ou menos 30
participantes (entre 14 e 30 anos de idade). O grupo de jovens do Felipe além
de participar da quadrilha, também foram responsáveis pela
aquisição/organização/promoção da barraca de doce, bem como, também fizeram a
decoração externa da festa (bandeirolas e cartazes). Tiramos algumas fotos,
agradecemos a entrevistas e ele se despediu, disse que tinha outro compromisso.
Iniciamos então a entrevista com a Sra. E.B.M., 38
anos, casada, tem uma filha. E nos conta sua experiência com trezena, disse se
tratar de uma procissão que inicia no dia posterior ao levantamento do mastro
que dá inicio oficial aos festejos. E que a procissão percorre as casa de
moradores que já participam a muito tempo da comunidade católica do bairro
Pedregal. Que as famílias visitadas são escolhidas através de um sorteio, feito
pela Sra. M.P. que também foi
entrevistada por nós. A Sra. E.B.M., disse que se sente muito feliz por fazer
parte dessa Romária, o sentimento de fé é muito forte entre os participantes, e
durante o processo varias pessoas dão depoimento pessoal e de terceiros de
milagres e benções alcançadas através da intercessão de “Santo Antônio”. Que
vai continuar participando ativamente deste evento de fé, não só na procissão
mais na festa de modo geral, na qual já é festeiro há alguns anos. Por ser
muito amiga dos outros entrevistados a Sra. E.B.M., nos acompanhou nas próximas
entrevistas.
Apesar do calor insuportável saímos da praça da
igreja em direção a casa do próximo entrevistado, o Sr. W.T., 71 anos, há mais
ou menos mil metros longe da igreja/ da praça onde estávamos. Fomos recebidos
por ele que prontamente nos conduziu para uma mesa nos fundos da casa, onde
sentamos enquanto ele voltava para o interior da casa para vestir uma camisa,
pois estava sem, quando voltou nos pediu desculpas pelos seus trajes. Era um
lugar simples, cadeiras e mesas antigas, um varal com roupas já secas, um rifle
( espingarda), que ao perceber nossos olhares a recostou sobre um tanque de
roupas, havia também um canteiro de cheiro verde, um pé de manga e outras
frutas típicas da cidade. O Sr. W.T. , começou a falar tão logo fomos
apresentados, contou do inicio do bairro Pedregal, das dificuldades de uma
comunidade oriunda de invasão(grilo); discorreu sobre sua vida antes de chegar
nesta ocupação, de seus envolvimento políticos e religiosos, era notória sua
emoção e ou sua saudade daquele tempo em uma ação sua fazia toda diferença numa
comunidade religiosa, lembra de cada líder político e religioso daquele tempo em tudo era
difícil, mais conquista tinha um sabor salutar, que vida e força pra continuar
lutando. Por vários momento foi possível sentir sua emoção ao recordar era como
se quisesse nos tele-transportar para aquele exato momento do fato que estava
narrando, meus colegas assim como eu, estavam atônitos, absorvendo por todos os
sentidos possíveis cada palavra e gesto, daquele senhor que não demonstrava
pressa alguma em chegar logo no final daquela historia que lhe revolvia os sentimentos
a muito adormecido. Ele disse que no inicio era apenas uma barracão de lona no
quintal de sua casa, depois uma pequena capela de madeira, já na principal da
bairro e com muita luta se tornou a igreja de alvenaria que é hoje. E que a
festa já viveu seus tempos de gloria, com quatro dias de festejos, onde era
impossível trafegar ate mesmo a pé. Que teve a oportunidade de estar a frente
da coordenação da igreja por um período de oito anos, e que sugeriu que o
“coordenador” fosse assim chamado quem estivesse a frente da igreja e não mais
“presidente” como era quando ele iniciou os trabalho. Conta que as novas
coordenações, algumas atitudes, os novos movimento que agora integram a igreja
católica, foram transformando e os festejos ganharam outros olhares. Perdeu um
dia, na realidade dois dias, por que antes no domingo também era um dia de
festa, hoje se faz apenas o almoço e o grande bingo, então festa mesmo acontece
apenas na noite de sábado. Depois de
quase duas horas de audiência com pouquíssimas interrupções, encerramos a
entrevista, e imbuído ainda pela emoção o Sr W.T., pergunta se pode orar por
nós e faz uma comovente oração pedindo a intercessão de Santo Antônio e de
Nossa Senhora, pela nossa vida e saúde. Agrademos por tudo e saímos.
Durante a entrevista do Sr.W.T., a Sra. M.P., chega e
da importantes contribuições na fala dele. Depois relata que foi ela que
iniciou a trezena, que antes era apenas cinco dias, depois foram treze e que as
benção tem sido alcançadas, ano após ano, que quem escolhe em qual casa ir é o
Divino Espírito Santo, que ela é apenas instrumento Dele. Que não pensa em
parar, que gosta de testemunhar a fé, dela e das pessoas onde o Santo visita, e
que após quase quarenta anos este ano foi a primeira vez que Santo Antônio
visitou o Sr. W.T..
Como estas entrevistas demoraram mais do que o
previsto foi necessário marcamos um outro dia para fechar as entrevistas.
12/09/2018 – entrevista com Sr. F.M. 70 anos, que nos
recebe sobre uma Lage recém concretada na lateral direita de sua casa, era um
fim de tarde de clima típico de Cuiabá, quente e úmido. Foram feitas as devidas
apresentações e reforçado o pedido de desculpas por não termos comparecido no
dia marcado devido a longo entrevista c o Sr. W.T., ele entendeu e demos inicio
a narrativa. O Sr. F.M. assim como o Sr.W.T., demonstra muita emoção ao relatar
como era os festejos e como se tornou hoje, ambos atribuem essas transformações
aos novos coordenadores e ao fato de quererem suprimir a bebida alcoólica da
festa, foi quando o quadro se agravou de fato. O Sr. F.M., foi um dos festeiros
que levou um frango assado pro leilão, na sábado a noite, mais que não foi
leiloado, e também não lhe foi devolvido, pois segundo ele , isso era o correto
a fazer, pois quando se doa uma prenda dá-se um lance inicial, nesse caso foi
de quarenta reais, que quando não se acha um lance maior no leilão ou quando
não há leilão este foi o caso, deviria devolver para o doador que ficaria com a
prenda e pagaria o valor inicio do lance. Porem não foi isso que aconteceu
venderam a prenda dele pra outra pessoas sabe lá por qual valor, sem lhe dar
satisfação. Mesmo assim ele ainda vai levar outra prenda no próximo ano, como
tentativa de incentivar o leilão. Nos conta com um ar de indignação como era
linda a festa e como muitos membros antigos foram afastando a cada nova
coordenação que assumia os trabalhos. É notório a fé que move esses festeiros e
novenários para realizar uma nova festa a cada ano, ele conta que participa
desde 1979, quando a igrejinha era de madeira e que ajudou a construir a de
alvenaria, como é hoje, reclama ainda que antes tinha um grupo de trabalho para
cada dia de festa, quem trabalhava num dia folgava e festava nos outros, hoje,
´são as mesmas pessoas, “querem que você trabalha todas as noites, isso não
pode não”, relata o Sr.F.M. a entrevista durou cerca de uma hora, ele nos
ofereceu água e refrigerante, agradecemos e encerramos a entrevista.
Este foi apenas um relato superficial de cada
entrevista e do sentimento de cada entrevistado, a narração na integra é muito
mais rica em detalhes e fatos sobre a festa “ Santo Antônio do Pedregal”, espero ter atingido meu
objetivo de transmitir o que os envolvidos queria expor em dado momento de
fala. Em mim fica a certeza de que a religiosidade ate hoje move e transforma
vidas nesta comunidade que recebeu o nome do santo padroeiro – comunidade de
“Santo Antônio do Pedregal”, periferia, marcada pelo trafego de droga, e que
guarda no seio do povo a fé em Santo Antônio. Que todos num só objetivo, por
quase vinte dias, entre final de maio e meados de junho, num misto de
sentimento, fé, obrigações, deveres, desejos ( de receber uma graça), no mesmo
lugar.
Concluo este, agradecendo primeiramente a Deus, aos meus
colegas de classe e aos moradores da
comunidade que tão gentilmente deram sua contribuição para realização deste
trabalho de campo.
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