quarta-feira, 25 de setembro de 2019

A festa de São Benedito



              Diário de Campo
             A festa de São Benedito
                                          Wesley Luna

A festa de São Benedito, que nos ocupou, foi realizada na famosa igreja do Rosário e São Benedito no dia 28 junho até o dia 01 de julho. Como já estava em cima da hora de acontecer o evento, não houve a possibilidade de acompanhar as atividades preparatórias, juntamente com seus membros envolvidos. Porém, acompanhamos o evento em si, quando observamos seus frequentadores, e entrevistamos tanto os envolvidos na organização da festa, quanto os devotos e pessoas que frequentaram o evento.
           Durante nossas observações, identificamos que o público presente durante o período da festa era de pessoas, em sua maioria, com idade superior a 30 anos aproximadamente e que predominavam os idosos. Até mesmo dentro da organização do evento, na composição das irmandades eram as pessoas mais velhas, idosas mesmo, que tomavam parte. Porém, quando chegava ao anoitecer, aparecia um público mais jovem, mas esse público não estava ali devido a devoção pelo santo ou a igreja, mas com o objetivo de usufruir da praça de alimentação do evento, que oferecem preços populares e também por causa dos shows de música regional com cantores contemporâneos e músicas do gosto da juventude local.
A festa é toda cercada com um tipo de muro, uma barragem de alumínio alto de cerca de 1,90 de altura aproximadamente, tendo 6 entradas para o público. A festa fica em torno da igreja, com um palco na rua lateral para abrigar os artistas diversos que foram ali se apresentar e também um palco de grande concentração de devoção ao santo da festa. Dentro desse cercado no meio centrar fica a igreja e nos cantos ficam as barracas feitas pelas comunidades da igreja. Essas comunidades eram de outras igrejas vinculadas a do Rosário e São Benedito.  As barracas ofereciam bebidas (água e cerveja) e também ofereciam diversos tipos de comidas (espetinhos, bolos, comidas caseiras e etc.) tudo durante a programação da festa.
       Iniciamos as conversas e entrevistas com as pessoas do lado de fora. Havia umas barracas que não eram patrocinadas, não faziam parte da organização da festa, porém, diziam eles, teriam sido autorizados pela organização para realizar aquele comércio. Essas pessoas, que estavam ali vendendo, eram os próprios moradores das proximidades da igreja, e algumas delas expressavam com revolta, juntamente com seus clientes, dado que seus produtos teriam de ser consumidos do lado de fora, uma vez que do lado de dentro somente se consumiria o que fora autorizado vender naquela parte.
    Conversamos com moradores ali da redondeza da igreja e ficamos impressionados com a questão de tempo, pois muitos conhecem e participam da festa desde quando começou. Encontramos uma senhora idosa, com muito sangue na veia e disposição, que já tinha trabalhado o dia todo ajudando no preparo da comida. Chegamos até ela através de sua filha que estava na barraca vendendo, com quem conversamos primeiro e soubemos de várias coisas referentes a festa: os clientes, o que vendiam e como fazem para vender. Quando perguntamos sobre o início de tudo, por eles morarem próximo, disse ela que, nada melhor pra falar ou responder a pergunta como a mãe dela. Quando chegamos a sua casa, ela estava deitada no sofá, meia exausta devido a correria que mencionei. Deu entrevista deitada e nos contou toda a história na versão dela, desde quando começou a festa. Por fim, tínhamos que continuar a observar a festa e conversas com outras pessoas.
       Após ter conversado com essas pessoas de fora da festa, lembrando que essas pessoas também ajudaram internamente como voluntariado, principalmente na preparação do alimento a ser comercializado na durante a festa, conversamos com as pessoas do lado de dentro.
       Durante toda a nossa passagem pelo evento, observamos o comportamento do público, das irmandades ( realizadores da festa), algumas pessoas que moram ao redor do evento, que também trabalhavam, porém para fins lucrativos próprios, mas essas pessoas tinham que comercializar somente os produtos  que fossem liberados pela organização do evento. Um exemplo era a bebida, cerveja, comercializado na festa, era somente de uma marca empresarial, as pessoas ajudavam a vender o produto e detinham de uma porcentagem em cima do lucro  obtido.
         Assim, conversamos com várias pessoas ali naquele ambiente. Ouvimos diversas coisas, pessoas relatando sua vivência, as experiências, as participações e relatos antigos e atuais a respeito do evento, até por que é um evento que vem acontecendo há anos, com diversos personagens (públicos e pessoas que ajudam na realização) que compõem a festa.
        Algumas dessas pessoas estavam muito satifeitas com a realização, porém tinham outras que já não estavam mais satisfeitas ou que relatavam que a festa não é igual ao do passado, quando na realização se via outro comportamento.
       No inicio, antes de entrar dentro do evento, ficamos observando o entorno, ao seu redor, numa entrada lateral à igreja, a lateral mais famosa, pois ali tem umas casas muito importante e históricas, situadas na lateral da igreja à direita. Ali moram famílias muito antigas, que sempre participaram da festa direta e indiretamente. Muito dessas famílias estavam trabalhando durante o evento, só que no lado de fora do evento, vendendo diversos produtos ( comidas e bebidas), porém seus produtos não podiam ser consumidos dentro do evento, sendo a principal queixa desses comerciantes, mas principalmente dos clientes, pois tinham que consumi-los ali fora mesmo, para depois poder entrar na festa.
      Dentro da festa também tinha comercialização, só que eram produtos comercializados pelos organizadores da festa. Era notável a diferença de preço em comparação com os produtos oferecidos fora da festa. Questionamos por que do valor ser bem superior e alguns dos envolvidos na organização não soube relatar e outros diziam que era por causa do patrocínio, bem como a realização do evento que tinha um custo expressivo aos organizadores e que tinham que reaver os custos e por conseguinte os lucros.
      Conversamos com uma moça jovem de aproximadamente uns 33 anos, que mais reclamou de tudo. Ela explicou, muito agitada devido as vendas em que estava ocupada, como vendedora da barraquinha de pastel. Fomos com ela até sua mãe, uma senhora de 83 anos, aproximadamente. Já idosa, porém seu físico não demonstrava muito, contou-nos o motivo de ela estar deitada no sofá. Era devido ao seu cansaço, pois trabalhara o dia todo em pról da festa e também da comercialização dos seus produtos junto com sua família. Ela disse que passara a tarde ajudando na cozinha da igreja, na preparação da comida para ser comercializada durante o evento, juntamente com outras “irmãs” da igreja.  Relatou ainda que ela participa do evento desde os 21 anos quando jovem, desde então nunca mais parou, só parará quando morrer, e que é inspiração para ela tudo aquilo.
         Essa senhora tem um acervo em sua memória a respeito da festa, desde quando começou até os dias atuais. Após essa conversa, fomos para o lado de dentro da festa, onde observamos tudo ali em volta, as pessoas, as barracas. O detalhe interessante era que as barracas em volta na rua lateral, seguindo a rua dos fundos da igreja, eram barracas das irmandades de outras igrejas afiliadas, que estavam vendendo seus produtos em prol de sua igreja.  Eles disseram que todo o valor ali lucrado era para ajudar suas igrejas internamente e, conseguinte, seus devotos. Pude observar que eles estavam felizes por trabalhar daquela forma e para aquela finalidade.  Simpáticos e harmoniosos, estavam a todo momento buscando seus clientes, chamando-os para consumir seus produtos.
            Continuamos a andar pela rua lateral da igreja. Nos primeiros dias da festa observo que era pouco o público presente; nas procissões só se via pessoas mais idosas ali presentes. Eram os fiéis, frequentadores natos, algumas poucas crianças, bem poucas; os jovens eram praticamente escassos. Mas havia alegria dos que estavam ali. Uma observação importante é que o público maior aparecia na praça de alimentação, instaladas pela festa, mas o público se alimentava e dispersava.
          Durante a festa teve várias apresentações no palco de diversas bandas, regionais e nacional. Algumas bandas atraíam muito público. Os shows aconteciam próximo do início da noite, por volta das 18 horas. Alguns se alimentavam e se dispersavam, outros permaneciam para as missas, shows de cantores e apresentações regionais. Uma coisa muito interessante, e que eu não pude acompanhar, são as missas das 4 horas da manhã aproximadamente; missas muito interessantes para maioria dos devotos ao santo e fiéis da igreja. Também tinha o tradicional chá com bolo ofertado durante a manhã. Esse alimento oferecido tem uma história que desde quando começou a festa. Algumas pessoas nos relatavam com muita ênfase, que isso era uma atração da festa no passado. Porém, outras já não tinha o mesmo ânimo quando falavam desse assunto; elas diziam que no passado o chá com bolo era dado pela igreja e que atualmente é comercializado. Assim nem todos podem apreciar o alimento ofertado.
           No início do evento, na quinta feira, até a sexta feira notava-se um público bem ralo; quase não tinha pessoas, multidão. Perguntamos o motivo do não comparecimento para as pessoas da organização. A maioria dizia que. Os motivos eram diversos, mas o principal era o fato de ser dia de semana em que muitos trabalham. A maioria prefere ir no sábado e domingo, como de fato constatamos.
         Durante o fim de semana vimos o número de pessoas aumentar muito, estava até difícil se locomover. No domingo, último dia do evento, era o principal dia para os fiéis; o dia da caminhada, dia de pegar no santo e caminhar com ele, bem como fazer os pedidos e assim também agradecer, de alguma forma, os pedidos do ano anterior. Foi o último dia que participei da festa que achei muito interessante. Nesse dia pude ver muita diversidade de pessoas, estavam vestidos de diversas formas. 
         Por fim termino esse relato, sem muitos detalhes, pois não conseguimos acompanhar a festa em toda a sua organização, que dura o ano todo e envolve uma programação que se estende ao longo do dia até a noite.

Um comentário:

  1. Os links levam a imagens que o autor introduziu no texto. Esse diário já é mais detalhado, pois o grupo fez várias incursões ao campo. Isso os levou a cumprir um dos objetivos da atividade de extensão que foi levar os estudantes a perceber a necessidade de conceitos para a análise da realidade social.

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