Diário de Campo
A festa de São Benedito
Wesley Luna
A festa de São
Benedito, que nos ocupou, foi realizada na famosa igreja do Rosário e São
Benedito no dia 28 junho até o dia 01 de julho. Como já estava em cima da hora
de acontecer o evento, não houve a possibilidade de acompanhar as atividades
preparatórias, juntamente com seus membros envolvidos. Porém, acompanhamos o
evento em si, quando observamos seus frequentadores, e entrevistamos tanto os
envolvidos na organização da festa, quanto os devotos e pessoas que
frequentaram o evento.
Durante nossas observações,
identificamos que o público presente durante o período da festa era de pessoas,
em sua maioria, com idade superior a 30 anos aproximadamente e que predominavam
os idosos. Até mesmo dentro da organização do evento, na composição das
irmandades eram as pessoas mais velhas, idosas mesmo, que tomavam parte. Porém,
quando chegava ao anoitecer, aparecia um público mais jovem, mas esse público
não estava ali devido a devoção pelo santo ou a igreja, mas com o objetivo de
usufruir da praça de alimentação do evento, que oferecem preços populares e
também por causa dos shows de música regional com cantores contemporâneos e
músicas do gosto da juventude local.
A
festa é toda cercada com um tipo de muro, uma barragem de alumínio alto de cerca
de 1,90 de altura aproximadamente, tendo 6 entradas para o público. A festa
fica em torno da igreja, com um palco na rua lateral para abrigar os artistas
diversos que foram ali se apresentar e também um palco de grande concentração
de devoção ao santo da festa. Dentro desse cercado no meio centrar fica a
igreja e nos cantos ficam as barracas feitas pelas comunidades da igreja. Essas
comunidades eram de outras igrejas vinculadas a do Rosário e São Benedito. As barracas ofereciam bebidas (água e cerveja)
e também ofereciam diversos tipos de comidas (espetinhos, bolos, comidas
caseiras e etc.) tudo durante a programação da festa.
Iniciamos as conversas e entrevistas com
as pessoas do lado de fora. Havia umas barracas que não eram patrocinadas, não
faziam parte da organização da festa, porém, diziam eles, teriam sido
autorizados pela organização para realizar aquele comércio. Essas pessoas, que
estavam ali vendendo, eram os próprios moradores das proximidades da igreja, e
algumas delas expressavam com revolta, juntamente com seus clientes, dado que
seus produtos teriam de ser consumidos do lado de fora, uma vez que do lado de
dentro somente se consumiria o que fora autorizado vender naquela parte.
Conversamos com moradores ali da redondeza
da igreja e ficamos impressionados com a questão de tempo, pois muitos conhecem
e participam da festa desde quando começou. Encontramos uma senhora idosa, com
muito sangue na veia e disposição, que já tinha trabalhado o dia todo ajudando
no preparo da comida. Chegamos até ela através de sua filha que estava na
barraca vendendo, com quem conversamos primeiro e soubemos de várias coisas
referentes a festa: os clientes, o que vendiam e como fazem para vender. Quando
perguntamos sobre o início de tudo, por eles morarem próximo, disse ela que,
nada melhor pra falar ou responder a pergunta como a mãe dela. Quando chegamos a
sua casa, ela estava deitada no sofá, meia exausta devido a correria que
mencionei. Deu entrevista deitada e nos contou toda a história na versão dela,
desde quando começou a festa. Por fim, tínhamos que continuar a observar a
festa e conversas com outras pessoas.
Após ter conversado com essas pessoas de
fora da festa, lembrando que essas pessoas também ajudaram internamente como
voluntariado, principalmente na preparação do alimento a ser comercializado na
durante a festa, conversamos com as pessoas do lado de dentro.
Durante toda a nossa passagem pelo
evento, observamos o comportamento do público, das irmandades ( realizadores da
festa), algumas pessoas que moram ao redor do evento, que também trabalhavam,
porém para fins lucrativos próprios, mas essas pessoas tinham que comercializar
somente os produtos que fossem liberados
pela organização do evento. Um exemplo era a bebida, cerveja, comercializado na
festa, era somente de uma marca empresarial, as pessoas ajudavam a vender o
produto e detinham de uma porcentagem em cima do lucro obtido.
Assim, conversamos com várias pessoas
ali naquele ambiente. Ouvimos diversas coisas, pessoas relatando sua vivência,
as experiências, as participações e relatos antigos e atuais a respeito do evento,
até por que é um evento que vem acontecendo há anos, com diversos personagens
(públicos e pessoas que ajudam na realização) que compõem a festa.
Algumas dessas pessoas estavam muito
satifeitas com a realização, porém tinham outras que já não estavam mais satisfeitas
ou que relatavam que a festa não é igual ao do passado, quando na realização se
via outro comportamento.
No inicio, antes de entrar dentro do evento,
ficamos observando o entorno, ao seu redor, numa entrada lateral à igreja, a
lateral mais famosa, pois ali tem umas casas muito importante e históricas,
situadas na lateral da igreja à direita. Ali moram famílias muito antigas, que sempre
participaram da festa direta e indiretamente. Muito dessas famílias estavam
trabalhando durante o evento, só que no lado de fora do evento, vendendo
diversos produtos ( comidas e bebidas), porém seus produtos não podiam ser
consumidos dentro do evento, sendo a principal queixa desses comerciantes, mas
principalmente dos clientes, pois tinham que consumi-los ali fora mesmo, para depois
poder entrar na festa.
Dentro da festa também tinha
comercialização, só que eram produtos comercializados pelos organizadores da
festa. Era notável a diferença de preço em comparação com os produtos
oferecidos fora da festa. Questionamos por que do valor ser bem superior e
alguns dos envolvidos na organização não soube relatar e outros diziam que era
por causa do patrocínio, bem como a realização do evento que tinha um custo
expressivo aos organizadores e que tinham que reaver os custos e por
conseguinte os lucros.
Conversamos com uma moça jovem de
aproximadamente uns 33 anos, que mais reclamou de tudo. Ela explicou, muito
agitada devido as vendas em que estava ocupada, como vendedora da barraquinha
de pastel. Fomos com ela até sua mãe, uma senhora de 83 anos, aproximadamente.
Já idosa, porém seu físico não demonstrava muito, contou-nos o motivo de ela
estar deitada no sofá. Era devido ao seu cansaço, pois trabalhara o dia todo em
pról da festa e também da comercialização dos seus produtos junto com sua
família. Ela disse que passara a tarde ajudando na cozinha da igreja, na
preparação da comida para ser comercializada durante o evento, juntamente com
outras “irmãs” da igreja. Relatou ainda
que ela participa do evento desde os 21 anos quando jovem, desde então nunca
mais parou, só parará quando morrer, e que é inspiração para ela tudo aquilo.
Essa senhora tem um acervo em sua memória
a respeito da festa, desde quando começou até os dias atuais. Após essa
conversa, fomos para o lado de dentro da festa, onde observamos tudo ali em volta,
as pessoas, as barracas. O detalhe interessante era que as barracas em volta na
rua lateral, seguindo a rua dos fundos da igreja, eram barracas das irmandades
de outras igrejas afiliadas, que estavam vendendo seus produtos em prol de sua
igreja. Eles disseram que todo o valor
ali lucrado era para ajudar suas igrejas internamente e, conseguinte, seus
devotos. Pude observar que eles estavam felizes por trabalhar daquela forma e
para aquela finalidade. Simpáticos e harmoniosos,
estavam a todo momento buscando seus clientes, chamando-os para consumir seus
produtos.
Continuamos a andar pela rua
lateral da igreja. Nos primeiros dias da festa observo que era pouco o público
presente; nas procissões só se via pessoas mais idosas ali presentes. Eram os
fiéis, frequentadores natos, algumas poucas crianças, bem poucas; os jovens
eram praticamente escassos. Mas havia alegria dos que estavam ali. Uma
observação importante é que o público maior aparecia na praça de alimentação,
instaladas pela festa, mas o público se alimentava e dispersava.
Durante a festa teve várias
apresentações no palco de diversas bandas, regionais e nacional. Algumas bandas
atraíam muito público. Os shows aconteciam próximo do início da noite, por
volta das 18 horas. Alguns se alimentavam e se dispersavam, outros permaneciam
para as missas, shows de cantores e apresentações regionais. Uma coisa muito
interessante, e que eu não pude acompanhar, são as missas das 4 horas da manhã
aproximadamente; missas muito interessantes para maioria dos devotos ao santo e
fiéis da igreja. Também tinha o tradicional chá com bolo ofertado durante a manhã.
Esse alimento oferecido tem uma história que desde quando começou a festa. Algumas
pessoas nos relatavam com muita ênfase, que isso era uma atração da festa no
passado. Porém, outras já não tinha o mesmo ânimo quando falavam desse assunto;
elas diziam que no passado o chá com bolo era dado pela igreja e que atualmente
é comercializado. Assim nem todos podem apreciar o alimento ofertado.
No início do evento, na quinta feira,
até a sexta feira notava-se um público bem ralo; quase não tinha pessoas,
multidão. Perguntamos o motivo do não comparecimento para as pessoas da
organização. A maioria dizia que. Os motivos eram diversos, mas o principal era
o fato de ser dia de semana em que muitos trabalham. A maioria prefere ir no
sábado e domingo, como de fato constatamos.
Durante o fim de semana vimos o número
de pessoas aumentar muito, estava até difícil se locomover. No domingo, último
dia do evento, era o principal dia para os fiéis; o dia da caminhada, dia de
pegar no santo e caminhar com ele, bem como fazer os pedidos e assim também
agradecer, de alguma forma, os pedidos do ano anterior. Foi o último dia que
participei da festa que achei muito interessante. Nesse dia pude ver muita
diversidade de pessoas, estavam vestidos de diversas formas.
Por fim termino esse relato, sem muitos
detalhes, pois não conseguimos acompanhar a festa em toda a sua organização,
que dura o ano todo e envolve uma programação que se estende ao longo do dia até
a noite.
Os links levam a imagens que o autor introduziu no texto. Esse diário já é mais detalhado, pois o grupo fez várias incursões ao campo. Isso os levou a cumprir um dos objetivos da atividade de extensão que foi levar os estudantes a perceber a necessidade de conceitos para a análise da realidade social.
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