domingo, 20 de outubro de 2019

Bar de motociclistas



Diário de Campo
ANNA KARULLINE RIBEIRO BRANDAO 
Bar de  motociclistas


Primeira abordagem.

     Ao chegar no local, em uma quarta-feira por volta das 19:00 já se tem uma idéia do ambiente seu design externo do prédio que além de cores fortes também se encontra diversos tipos de motos estacionadas na entrada.
    Na parte interna chama atenção pelo estilo de música que varia entre rock e metal misturado com as cores escuras e luz ambiente, visualmente muito agradável. As pessoas se acomodam em mesas junto com seu grupo de amigos ou perto do balcão. Não parece ser um lugar propenso a grandes aglomerações ou de agito, na verdade, a imagem que passou foi de um lugar para pessoas próximas terem um momento de conversa e para beber, o que incentiva a idéia de formar grupos por afinidade.
    Ao fundo dá pra ver a parte que fica a oficina de motos e no segundo andar está a barbearia, ambos também são responsáveis por atrair um público mais diferenciado ao local. Ao conversar com os freqüentadores do local as respostas não são muito diferentes, eles afirmam freqüentar o local por ser um ambiente agradável e ter pessoas com o mesmo estilo de vida, isso em uma mesa onde só tinha motociclista, termo usado pra identificar o pessoal que possui motos e fazem parte desse movimento. Em outra mesa uma pessoa que curtia o estilo de musica, a recepção e a aceitação do local mesmo não fazendo parte do movimento. Afirma este também que não se sente incomodado por não fazer parte do mesmo, mas que gosta de conhecer lugares diferentes.
  A primeira impressão que o local pode passar é de ser um lugar fechado ao publico que não compactue do mesmo estilo, mas ao adentrar e conhecer melhor é possível perceber que essa separação, por mais que sejam perceptíveis visualmente, aqueles que são motociclistas e os que não são então não há uma rejeição social de ambas as partes. Alguns freqüentadores também são pessoas que moram por perto, mas simpatizantes do movimento.
   As pessoas embora estranhassem um pouco aquela abordagem repentina num momento distraído, ainda assim, após breves explicações do motivo das perguntas elas se mostraram mais abertas e colaborativas. Porém, eu achei que por serem pessoas com gostos muito parecidos, as respostas foram parecidas também e breves, então mesmo indo mais de um dia, era como se a informação fosse limitada, pelo menos foi o que eu senti. Talvez mais experiência na área me ajudasse a obter mais informações ou talvez mais tempo convivendo com aquelas pessoas, como foi o caso dos funcionários e o dono do local que após eu ter comparecido diversas vezes (devido o dono ser muito ocupado e raramente estar presente), eu acabei ficando mais próxima e a conversa se desenvolveu de uma forma mais natural.



    Em outro dia pela manhã eu tenho uma conversa com o dono, logo percebo que é um  negocio de família e que todos os funcionários são parentes exceto pelo pessoal que trabalha na oficina, arrumando as motos e a barbearia no segundo andar que é terceirizada. Todos possuem o mesmo estilo de roupa, o que me chamou atenção embora não caracterize o estilo em si. Minha primeira pergunta é sobre de onde surgiu a idéia de abrir um estabelecimento diferenciado, ele afirma que a idéia em si, de juntar um bar com moto já existia fora de Cuiabá, ele apenas trouxe com intuito de ter um lugar próprio com esse estilo e poder oferecer um espaço assim para pessoas que se identificarem com o local. Houve um incentivo ao começar a trabalhar com a marca Harley Davidson que gerou também esse conhecimento de mercado necessário para abrir o negocio, possuindo assim muita influencia da cultura americana inclusive na parte visual. Perguntei também o estilo que predomina no local, afirmando logo que o local não se encontra em um estilo, mas sim em um modo de vida, pois aqueles que o freqüentavam viviam daquilo e transformam numa forma de viver o seu dia a dia, segundo o dono. E o mesmo em certo momento repreende a frase “motoqueiros”, ingenuamente usada por mim diversas vezes. Ele explica que hoje em dia o nome mais correto seria “motociclistas” e que “motoqueiros” gera um pouco de preconceito, tanto para quem escuta como pra quem faz parte do movimento que se sentem um pouco ofendidos com essa nomenclatura.
   Pergunto se pessoas com estilos iguais se sentem mais a vontade no seu estabelecimento do que em outros lugares aleatórios e se pessoas que não se encaixam nesses padrões se sentiria a vontade nesse lugar. Achei importante essa pergunta porque como eu fiz esse trabalho de forma individual, seria interessante ter uma outra visão sobre essa questão. O dono explica que ao chegar num lugar similar e encontrar pessoas com os mesmos interesses tanto sobre musica quanto sobre as motos eles se sentem mais a vontade. Ele afirma que vários de seus clientes não são exatamente desses que compartilham do mesmo estilo, mas freqüentam e se sentem muito á vontade mesmo com um ambiente diferente do comum, sem se sentirem excluídos ou algo do tipo. Assegura também que não há nenhum tipo de repressão ou preconceito, tanto de cliente para cliente como em relação á cliente e dono ou funcionários. Apesar da idéia de motociclista serem pessoas mais fechadas e não muito amigáveis, minha convivência com eles mostrou o contrario sobre esse pré-conceito que eu tinha, todos eles pareciam simpáticos.     Aproveitei para perguntar se eles sofrem algum tipo de preconceito em relação as outras pessoas e ele explica que hoje em dia não tanto quanto antes e que essa aceitação tem acontecido mais no decorrer dos anos devido a uma acessibilidade maior ao conhecimento e informação das pessoas saber ao certo o que é o movimento de motociclistas e o que é vandalismo, bagunça e outros comportamentos que as pessoas achavam que fazia parte.
    Pode ser também um dos motivos pelo qual eles não gostam de ser chamados de motoqueiros, pelo nome já carregar em si uma imagem diferente do que as idéias de motociclistas seriam. Em certo momento, ele explica que nenhum lugar (bar, casa de festa, pub etc...) por mais que seja caracterizado por um estilo, raramente vai ser um lugar fechado só pra um tipo de pessoa, por mais que o dono seja alguém extremista, não é comercialmente viável e não geraria renda, as pessoas se preocupam mais com se manter.
    Por fim, eu penso que a distinção dos motociclistas se dá mais pelo visual já que é visualmente notável a diferença entre os demais, mas na questão da personalidade não há uma diferença tão forte, eles tem gostos e um estilo diferente, mas isso não os tornar um grupo muito fechado.   


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