sábado, 19 de outubro de 2019

Festa de Santo Antonio do Pedregal


Diário de Campo 
Fabíola Gonçalves de Lima 

As entrevistas que agendamos é referente a festa tradicional que acontece todo ano no mês de junho na comunidade do Pedregal, festa de Santo Antônio do Pedregal.
No dia 08/09/2018 fui ao encontro do grupo marcado em frente à igreja da comunidade, por volta das 14h00, estava sol e fazia o típico calor cuiabano.
Foram ao nosso encontro Felipe e Elenice, ambos participam da festa e moram na comunidade, nos encontraram a pedido da colega Neide que mora no bairro desde a sua infância.
Felipe o primeiro entrevistado tem 16 anos e participa ativamente do grupo de jovens Sentinelas do Amanhã, Felipe falou bastante sobre a sua participação na festa. Segundo ele, participou da trezena junto com o grupo pela primeira vez, considera muito importante para todos, pois o jovem representa o futuro da comunidade.
Conta também que o grupo se reúne na igreja todo primeiro e terceiro domingo de cada mês ás 17h30. A faixa etária dos participantes vai de 12 a 30 anos de idade, possuindo uns 30 membros.
Na festa o grupo ficou responsável pela barraca dos doces, pelo pula-pula e ainda ajudaram na organização da festa fazendo bandeirolas. Seus avós e irmãos são frequentadores da igreja, este ano foi a primeira vez que ele participou da festa, gostou muito e pretende continuar.

Elenice disse que é festeira à 4 anos, mora na comunidade desde a sua infância, relata que participa da trezena e de toda a organização da festa, falou um pouco sobre o funcionamento da festa e disse que gosta muito de acompanhar tudo, de saber das Graças que as pessoas recebem, é movida pela Fé.

Na sequência, fomos à casa do Sr. Wilson, nascido em 1943, ele mora no bairro desde 1976. Ele nos recebeu no portão e nos conduziu até a área dos fundos da casa e nos acomodou numa grande mesa de madeira para dar início à entrevista.
Ele iniciou contando desde a sua chegada na região, que foi no dia 07 de maio de 1976, o local era um grilo. Não tinha nada além de 8 barracos de lona e passaram a ser 9 com a sua chegada, ele morou durante 9 meses numa barraca grande do exército, nas proximidades do campinho.
Na época o exército estava com ordem de despejo dos moradores, Sr. Wilson foi até a prefeitura junto com outros moradores, conversando com o prefeito, o mesmo ligou para o Governador Garcia Neto e decidiram pela retirada do exército da área. No mesmo período os moradores da Quarta-Feira estavam sendo despejados para a construção da rodoviária de Cuiabá. Sendo assim, o prefeito prometeu desapropriar a área do Pedregal para acomodar também os moradores retirados da Quarta-Feira. A prefeitura cumpriu com o combinado, logo mandou as máquinas para abrir as ruas e definir os lotes, Sr. Wilson ajudou na demarcação dos lotes.
Sr. Wilson antes de chegar em Cuiabá era da Congregação Cristã na cidade de Jaciara/MT, com a sua vivência na igreja, logo procurou ajuda para iniciar os rituais cristão, para dar início à comunidade, e assim, foi celebrada a primeira missa numa terça-feira, estavam presente umas 40 pessoas. O padre mandou pessoas da Igreja São Judas para dar apoio no início.
Passaram a visitar o Sr. Wilson na porta da sua casa 3 vezes por semana, Sr. Wilson foi delegado Presidente.
A paróquia Nossa Senhora de Fátima do bairro Araés, ficou sabendo do início da comunidade e também mandou ajuda (lampião a gás completo e um aparelho de som com alto falantes com 12 pilhas). Dessa forma Sr. Wilson e os outros participantes saíam nas ruas anunciando para as pessoas o dia da distribuição de pão e o dia da missa.
Sr. Wilson foi chamado para trabalhar na UFMT no projeto Rondon, nesse período já havia terminado o loteamento do bairro. O Padre Teodoro trouxe um rolo de lona preta para ele fazer um barraco grande para reunir as pessoas para a missa.
O nome da comunidade ficou definido Santo Antônio do Pedregal, por causa da imagem de Santo Antônio que foi doada e porque o local tinha muitas pedras.
No ano seguinte a igreja já era de tábuas, angariaram mais dinheiro e fizeram escavação para melhorar o terreno. Aconteceu a primeira festa, começou com apenas 1 dia de festa. Faziam 5 dias de novena e arrecadavam as prendas para a festa. A novena durou 8 anos.
Já em 1985 começou os ritos da trezena, que consiste em visitar 13 casas. Ou seja, 13 casas são sorteadas (o sorteio é guiado por meio do Espírito Santo que direciona tudo), a imagem de Santo Antônio fica nas 13 casas, é feito a leitura das escritas da vida de Santo Antônio, então é rezado o terço. Após visitar as 13 casas, o Santo é levado para a igreja e se dá o início dos festejos, que são 3 dias. Começa na sexta-feira com missa, no sábado é o baile e no domingo tem bingo.
Sr. Wilson contou como a imagem foi encontrada. Na capelinha do bairro Araés tinha uma imagem no porão e foi ofertada para a comunidade do Pedregal. Sr. Wilson aceitou a doação e trouxe a imagem no carrinho de mão do Aráes ao Pedregal. Como já trabalhava na UFMT, conhecia uma funcionária que era restauradora, ela se prontificou a restaurar a imagem, só cobrou pelo material. A imagem pesa 30 kg e tem 1.30 de altura.
  



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