domingo, 20 de outubro de 2019

Batalha de Rap

Diário de Campo
Batalha de Rap
Alanis Castro
 Alexsandro Mendonça 
Bruno Amerce 
Bruno de Almeida
 Sarha Conceição

No dia 13 de setembro, nosso grupo se locomoveu de ônibus até a Praça da Alencastro, ao notarmos uma movimentação na Praça da Republica. Notamos as rimas feitas no local, com o som baixo apenas dava para escutar a batida. As rimas se classificavam em rounds em primeiro e segundo, quando o publico solicitava, um terceiro, isto é, se a rima instigava. No começo estávamos receosos em chegar às pessoas, mas ao longo do tempo fomos adaptando ao ambiente, e decidimos gravar áudios pedindo informações pessoais e sociais sobre a batalha.
A primeira pessoa entrevistada estava vendendo doce e nos autorizou a gravar áudio passando informações, ele é um dos fundadores da atalha da Alencastro.
Ao ser perguntado sobre os estereótipos ligados a batalha, ele expõe que todo movimento que não é formado por elite é tirado de ‘’bandido’’.
“Desde o samba até o funk e até o rock, essa briga vem desde muito tempo. E as pessoas não pararam para entrar no movimento para saber, que dentro do movimento tem pai de família, tem pessoa que tem emprego importante.” E ele encerra dizendo que o principal motivo de muitos jovens frequentarem o local, é por que é uma espécie de refugio para aqueles que muitas vezes estão perdidos, dentro do seu meio social e familiar.
Logo após entrevistamos a Paula e a Eduarda, perguntamos a elas sobre o porquê elas estarem na batalha, o porquê delas frequentarem, a Eduarda nos disse que acha muito importante somar com o espaço, onde se pode ir expressar os pensamentos, e a presença deles ajuda a fazer com que a batalha aconteça, e pra somar com tudo que a batalha envolve e oferece. Ao ser perguntado sobre cultura, a Paula nos disse que as coisas expressadas ali são coisas que a gente não costuma dizer no dia a dia, que também além de se expressar, algumas pessoas vão apenas para se divertir.
“Os espaços culturais são bastante elitizados em Cuiabá, são espaços caros, majoritariamente de pessoas brancas. Já a batalha é feita por pessoas negras, que estão rimando e falando sobre sua realidade, ou simplesmente se manifestando.” Eduarda, 20 anos, Cuiabá.
Logo após, uma discente abordou o assunto sobre a parada policial no local. “A policia é racista”, diz Paula, e conta um fato que ela vivenciou. Ela fala que a abordagem nesse dia foi muito agressiva, pelo simples fato de ser aquele local e aquelas pessoas, sendo que, em outros locais isso não ocorre da mesma maneira. E por ser um local de pessoas majoritariamente negras, jovens, eles se acham numa autoridade de ir até lá e fazer com que aquilo acabe.
“Cuiabá está num processo de higienização da cidade, tanto na questão dos moradores de rua, tanto desses locais que são formados por maioria dessas pessoas já citadas. Os locais mais movimentados, a policia vai sempre, principalmente nos dias mais lotados. E as pessoas estão evitando ir aos lugares para não ser abordados” Paula, 20 anos, Cuiabá.
Acreditamos que a experiências relatadas são verídicas, pois da metade de pessoas entrevistadas, disseram sobre as abordagens brutas de policiais, exclusão social e preconceito, tanto racial quanto de outros gêneros. A batalha de rap em geral é envolvida de cultura, música, diversão, luta contra a opressão, ou apenas um modo de alivio.
Entrevistamos também estudantes de uma escola próxima, presidente Médici.  Ao ser questionado sobre um dos discentes por qual motivo àqueles jovens estão ali, se seria um modo de alivio, ela responde: “não só de alivio, mas de expressão” Alice, 15 anos, Cuiabá, uma diversão barata, acessível.
O ultimo entrevistado foi o Gabriel Lisboa (GL), ele faz parte de um grupo de mcs, onde diz que seu envolvimento com a batalha é mais que um hobby, que a influencia dele é o hip hop. “Não falaram pra mim que a policia reprime. Eu vivi isso.” Ao ser perguntado sobre a dificuldade para crescer como mc nos estados em geral, é o rap é negro, mas as pessoas buscam mais o rap branco, o que vende mais, e passa a tomar lugar de fala e patrocínio. 
Consideramos que a batalha da Alencastro foi criada com a intenção de acessibilidade, o rap em Mato Grosso estava baixo antes das batalhas serem criadas, expostas. O rap é como um dedo na ferida, a voz da periferia, e não podemos nos fazer de cegos. A batalha da Alencastro é onde as pessoas são mais aceitas, vai gente de todo tipo. Seria hipocrisia dizer que é livre de preconceitos, por que tem em todo o lugar, mas o movimento garante que o mc que faz rima desrespeitoso sempre acaba saindo da roda, por vaias do próprio publico. Locais como a batalha de rap da Alencastro nos da um olhar aberta a vários conceitos e vivencia.
A batalha de rap da Alencastro acontece toda quinta-feira, na Praça da República, as 19h00min, é livre pra que quiser assistir a batalha e também batalhar. Também existem outras batalhas como: Batalha das minas, Batalha do Pedra90.

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