Discente: Eros Eduardo Sgorlon.
Por
volta das 20h, eu e meu grupo saímos da Universidade a caminho do local de
estudo, uma casa de festas popular entre universitários e o público LGBTQ+, chamada
“Casa Rio”. Seguindo a Avenida Manoel José de Arruda, em direção ao Museu do
rio, encontra-se um beco, quase escondido, com vias de terra batida e um
estacionamento ao ar livre; à sua esquerda, encontram-se muros vermelhos baixos
com uma pequena janela e um portão de ferro comum de áreas residenciais, sendo
essa a porta de entrada de uma das casas de festas mais populares do público
“alternativo” cuiabano, assim definido por seus organizadores. Apesar de a
localidade ser rentada, as equipes de organizações costumam ser as mesmas, e, na
noite em questão, estamos vivenciando um evento proposto por eles.
Nós
chegamos antecedentemente ao horário divulgado como inicio do evento, para que
assim pudéssemos conversar com a equipe “Evolution”, três amigos que trabalham
com festas e eventos voltados para a comunidade Universitária e “Alternativa”,
como gostam de descrever sua clientela. Passamos pelo portão de ferro, que se
abre pela metade e revela, no seu interior, uma casa com características antigas
e clássicas da arquitetura histórica cuiabana, que, recentemente foi reformada,
sendo pintada com novas cores, além de outros ajustes terem sido feitos para
acomodar sua nova rotulação como uma casa de festas, não mais uma Residência
clássica. Em frente ao portão, uma piscina rente à entrada e à pequena
escadaria para a churrasqueira, que nos leva a imaginar se alguém já caiu
dentro dela durante alguma festa. À direita, vemos um grande espaço aberto
usado como pista de dança e um minúsculo elevado de concreto que se torna um
“palco” para os Djs, com tenda, luzes pirotécnicas, equipamentos de DJ e caixas
de som encaixadas em um espaço extremamente pequeno. Todavia, esse parece ser o
charme do local, a ilusão de algo pequeno, uma roda de amigos, mesmo que o
local suporte algo perto de 1600 pessoas.
Todo
espaço aberto ao publico se encontra ao redor da casa. Na lateral dela, existe
um espaço um pouco mais livre da agitação, com dois banheiros extremamente
pequenos e algumas cadeiras e bancos feitos de pallet. Nos fundos, há uma cerca
de arame que dá acesso ao rio Cuiabá, e aparentemente, esse também é um lugar
que costuma ser usado como descanso, pois é o ponto mais distante da “Pista de
Dança”, porém, infelizmente, o lugar também e usado como “banheiro” por
visitantes quando os minúsculos verdadeiros estão ocupados. Por tal motivo, o
cheiro de urina é bem forte nessa área, especialmente com o progredir da festa.
Nosso
grupo sentou-se junto aos organizadores da festa nas cadeiras e poltronas de
pallet para discutir e entender um pouco mais sobre as festas e o local. Conversamos
por volta de 1h e 30min, resultando em pouco tempo de espera antes do publico
adentrar a casa. A festa que estávamos a estudar possuía entrada grátis até a
meia noite e “rolha free”, devido a isso, por volta de uma hora antes da
abertura da casa, já havia uma fila que tomava conta da viela de terra, jovens,
em sua maioria bem vestidos, portando isopores, mochilas e bebidas alcoólicas
nas mãos e braços. A música começara em alto e bom tom, assim como as luzes
pirotécnicas. Pessoas começam a adentrar o pátio e “instalar” seus isopores e
rodinhas em certos pontos da pista de dança, ao som de IZA, cantora que foi
tocada pelos DJs no mínimo três vezes na mesma noite. Em questão de 30 minutos,
a casa já estava com, aproximadamente, 200 pessoas vagando pelo espaço, bebendo
e dançando. A quantidade de pessoas que chegam ao bar é mínima quando comparada
a de pessoas consumindo bebidas alcoólicas trazidas por elas.
No
período decorrido de uma hora de festa, você já pode ter uma bela noção de quão
abrangente a festa se tornava em noções de diversificação do seu público.
Homens de perucas baratas e vestidos emprestados de alguma amiga, claramente
saindo “Montado” de casa pela primeira vez, Drag Queens Profissionais, casais
heterossexuais expressando toda sua paixão, camisetas polos e bonés de aba reta,
camisetas transparentes e maquiagem, sem camisas e shorts curtos e muito, mas
muito gllitter. Aparentemente, se torna necessário pelo menos um copo de bebida
alcoólica na mão. Nesse ponto, a música predominante ainda era o POP internacional
e nacional. Contudo, conforme a festa progredia na noite, os ritmos musicais
tocados pelos DJs se tornam os mais distintos possíveis, chegando até mesmo a
ser cômico, passando por vários os gêneros musicais de Punk Rock e Pop,
chegando a ir à “Sofrência” e Lambadão.
Partimos
em busca de conversar com algumas pessoas no local e descobrir mais sobre a
festa. As conclusões não são chocantes; a diversificação de pessoas e “mundos”
que encontramos lá não se restringe apenas ao visual, mas também sangra nas
ideias e opiniões dos entrevistados, mesmo que os elogios e críticas mantenham-se
consistentes. O valor baixo de entrada e “Rolha free” se tornam o principal
elogio para este evento, sendo conhecido como “Role Econômico”. Em seguida, a
segurança, individualidade e diversidade se tornam, também, um dos principais
motivos que os eventos realizados pela equipe se tornam tão populares. “A
certeza de que eu possa dançar e ninguém vai passar a mão em mim me faz vir
nesses roles”, diz uma das meninas dançando em volta de um narguilé; “A gente
sabe que pode vir se divertir sem problema que ninguém vai encher o saco. A
gente vem montado sem preocupação”, complementa sua amiga Drag Queen. Com
certeza, a casa se encontra predominada pelo publico LGBTQ e casais
Heterossexuais.
Passadas
três horas de festa, a quantidade de pessoas atinge seu ápice, fazendo, assim,
com que a principal reclamação dos festeiros se torne a falta de um banheiro
decente, pois, afinal uma casa de festas que recebe um numero tão alto de
pessoas não poderia sobreviver com 3 vasos sanitários e 2 mictórios divididos
em 2 micro banheiros. O cheiro de urina e vomito, devido ao alto nível de
álcool, emerge do fundo da casa e chega a 1/3 do espaço destinado à festa. As danças se tornam mais intensas, com espacates acontecendo em efeito
dominó e peças de roupas começando a sumir, mas, afinal, quem pode culpa-los,
pois, mesmo sendo um espaço ao ar livre, não havia ventilação.
Desse
ponto em diante, a festa mantém seu ritmo até que, por volta das cinco da manhã,
o sol nasce revelando e expondo as criaturas da noite ainda na pista de dança,
podendo ser vistos alguns indivíduos desmaiados ao redor da casa, devido ao
álcool ou apenas cansaço. Assim, rapidamente, a casa se esvazia, e todos que
frequentaram a festa na noite anterior deixam para traz todo seu estresse, frustrações
e medos do dia a dia à espera da próxima festa que acontecerá.













Todas as imagens foram autorizadas pelas pessoas.
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